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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ministério de Artes

A arte encanta o homem!
Diante do que é belo o ser humano se rende em contemplação.
Por vezes, nem mesmo a carência de necessidades básicas, como por exemplo a falta de alimento, é capaz de extrair da pessoa, a total capacidade de se atentar, ainda que por meros segundos, ao atrativo da beleza plástica, pois, existe algo no núcleo dessa beleza, que responde a um anseio do coração humano.
“somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar” (Catecismo da Igreja Católica, art. Nº 27). Isso é a afirmação de que, a grande busca do ser humano, não está na saciedade de nada que existe neste mundo, nem mesmo suas necessidades mais primitivas, mas de algo que lhe seja ainda maior.
Felizmente, no íntimo e significado de uma obra artística, podemos vislumbrar, de alguma forma, O Ser Altíssimo, Criador, que tanto ansiamos “pois é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu autor” (Sb 13, 5).
O ápice da beleza está no amor de Deus por nós. E ainda que, nem tudo tenha cunho religioso e possamos apreciar coisas bonitas em todas as áreas, todo belo acaba por indicar O Seu Autor.
Por isso que, devemos mais do que nunca, nesse tempo de tanta modernidade e tantos meios que podem ser empregados, evangelizar através de algo que tanto fala ao coração das pessoas.
A arte é capaz de emocionar, e então, atravessando as nuvens dos sentimentos, aterrizar na terra firme da razão. Pela arte pode-se introduzir aos corações, os valores, a bondade, a misericórdia e nos ensina como amar sempre mais, pois, é o veículo que transporta um significado a mais que o simples entretenimento.
Quem aprecia a arte, aprende com prazer. Adquire instrução no momento de descanso.
Davi era um homem de guerra (cf. I Rs 5, 3), empenhado em lutas e conquistas sangrentas. E poucas vezes, pensamos nesse personagem como um guerreiro, como um general de exército, conhecedor de técnicas de batalha. Imaginamos um menino que quase numa travessura deu uma pedrada na cabeça de seu inimigo.
Existe até um filme, com outro personagem, também este versado em guerra, que, numa primeira cena derruba com um só golpe, o adversário de grande estatura. Apesar de nos impressionar bastante, tal feito, diz mais da pessoa de Davi desbancando o gigante Golias, do que propriamente a lenda de tal personagem neste longa-metragem.
Talvez, tenhamos até uma imagem amenizada do homem Davi, da sua capacidade de dominar e submeter adversários, devido as obras que ele deixou, por causa daquilo que tocamos como sendo sua sensibilidade, inclusive sua fraqueza ao pecado (cf. II Sm 11, 1ss). Os Salmos por exemplo, em que a maioria deles, orações e cânticos inspirados, foram da autoria de Davi.
Existia um ditado celta que dizia: “Nunca dê uma espada a um homem que não sabe dançar”. Ou seja, o homem deve ter uma motivação nobre dentro de si, antes mesmo de, se preciso e em último caso, empunhar um objeto assim para lutar pela sua defesa e dos seus. E a arte ajuda a alimentar tal sentido.
Quantas vezes nas coisas de Deus, Ele próprio pediu trabalhos artísticos? “Vede o Senhor nomeou especialmente Beseleel. Encheu-o do espírito de Deus, de sabedoria, habilidade e conhecimento para qualquer trabalho, como fazer projetos, trabalhar com ouro, prata e bronze, lapidar pedras e engastá-las, entalhar madeira e executar qualquer tipo de obra de arte” (Ex 35, 30-33). Pois, o significado do esplendor da obra é que: “Estes, estão a serviço daquilo que é a representação e sombra das realidades celestes, como foi dito a Moisés, quando estava para executar a construção da Tenda: ‘Vê, faze tudo segundo o modelo que te foi mostrado’(Ex 25, 40)” (Hb 8, 5).
Diante de toda mudança, nestes últimos tempos, em que o ser humano tem necessidade da verdade, a evangelização pela arte se faz mais que necessária, esta é urgente.
Devemos desenvolver nossa criatividade, cada um com seu talento, sua habilidade, pois há muita coisa que já foi feita para roubar a verdadeira ‘imagem e semelhança’ do homem e da mulher, através do que pode encantá-los. “os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz” (Lc 16, 8).
Como são belos os pés do mensageiro. O evangelho é belo por sua essência.
Deus abençoe!


http://blog.cancaonova.com/sandro/2011/08/01/ministerio-de-artes/

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A importância da família – Os papéis de pai e mãe

O ser humano é dentre o reino animal, a criatura que nasce mais frágil, aquela que precisa de maior cuidado. A maioria dos filhotes nascem e algumas horas depois já andam, ou em tempo muito menor que o gênero humano, podem desepegar-se da mãe e cuidar de si mesmos.

Talvez por sermos na natureza os que desenvolvem maior inteligência, dependemos um maior tempo dos genitores. Quando nascemos, temos ainda, muito o que aprender sobre a vida.

E estas lições nos são passadas de forma distinta entre o pai – ser masculino, e a mãe – ser feminino. A visão de mundo de cada um é diferente, contudo toda criança, independente do sexo, precisará da presença do pai e da mãe.

Um artigo já trabalhado por mim em outro post, do Frei Raniero Cantalamessa – pregador oficial da Casa Pontificia – vai abordar como o amor do Senhor se manifesta através das diferentes formas de amor, contidas em nossos pais.

“Deus se expressa como amor paterno e materno.

O amor paterno é feito de estímulo e solicitude; o pai quer o filho crescido e levado à plena maturidade.

Já o amor materno é feito de acolhida e de ternura; é um amor visceral; parte das profundas fibras do ser da mãe, onde a criatura se formou, e ali enraíza toda a sua pessoa, fazendo-a ‘estremecer de compaixão’”, justifica Cantalamessa.”.


Primeiramente , isso vem demonstrar os diferentes papéis desempenhados instintivamente pelo homem e pela mulher numa família e como cada um imprime traços diferentes no desenvolvimento e constituição da criança e do adolescente.

A ciência tem pesquisado e cada vez mais compreendido que, desde o tempo das cavernas, a mente, a visão de mundo, os sentimentos e reações ao ambiente, entre homens e mulheres, vem sendo desenvolvidas diferentemente. Porém, é essa forma individual de analisar e agir, que cada um dos sexos transmitirá ao filho(a).

O amor de pai é feito de solicitude e estímulo. O ser paterno quer ensinar as coisas ao filho(a), demonstrar como se faz, por vezes, desafia o rebento a um novo em sua vida.

Lá nos inícios, Deus disse ao homem: “Comerás o pão com o suor do teu rosto” (Gn 3, 19). Ou seja, deu ao ser masculino a vocação de prover o sustento, de trabalhar a natureza, modificá-la, empreender, ir em frente até alcançar a excelência – maturidade e plenitude dos meios. Então, se é dessa maneira que o homem entende a vida para si, isso será o conteúdo que ele terá a aprensentar a sua prole.

Geralmente é o pai quem ensina a criança a andar de bicicleta (segura para não cair, mas solta quando vê que o filho(a) já aprendeu, ainda que o(a) pequeno(a) não confie em si, mas ao ver que já pedalou sozinho alguns metros, aprende a confiar que seu pai o lançou na vida para seu próprio bem. A criança experencia o prazer de ser desafiado pelas ocasiões da existência e alcançar suas metas). Também é o pai que, na maioria da vezes, brinca pedindo que o filho pule de alguma altura para o segurar no colo. Dificilmente veremos uma mãe brincando assim!

Isso tudo vai registrando na cabecinha da criança; “Você é capaz”, “Eu acredito em você”, “Existe alguém junto com você, alguém que te olha, mesmo quando você se sente sozinho no desafio”.

Na adolescência também, geralmente é o ser masculino quem ensina um ofício. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com seu pai José. Foi observando seu pai que Ele teve contato com as primeiras noções de como buscar o sustento, de como as coisas funcionam, a dinâmica da natureza, dos processos naturais, pois daí se extrai a providência. Posteriormente, na sua vida pública, Jesus usou em seus discursos o comparativo do Reino de Deus com fatores da agricultura da cidade de Nazaré, foi buscar nos trabalhos propriamente masculinos na cultura local e da época, exemplos para Sua mensagem de Boa Nova. (cf. Mt 6, 26; Mc 4, 32; Lc 8, 5; Lc 13,19).

A mãe por sua vez, traz a caracteristica do amor visceral, feito de acolhida e ternura, tudo é compaixão. Por vezes é um amor que quer reter para si a criatura de suas entranhas. A sensação de geração e proteção, o vínculo físico, com aquele que lhe veio de dentro do organismo, de alguma forma continua ao longo da vida.

À mulher Deus disse: “Entre dores darás à luz os filhos. Teus desejos te arrastarão para teu marido” (Gn 3, 16). O senso feminino de amor, deseja trazer para perto, para junto, quer unir toda família em torno dela. Lhe custa dores, sacrifícios interiores, daí então o zelo em manter e principalmente proteger.

Quando um filho(a) se machuca, para quem ele corre? Geralmente para a mãe. Quando sofremos e precisamos de um acalento, de colo, de mão na cabeça, palavras de carinho, para quem nos dirigimos? Geralmente para o colo de mãe. Desde pequenos, se algo acontece e sabemos que estamos errados ou mesmo quando estamos inocentes no acontecido, havendo o receio de que não vão nos entender, preferimos dizer primeiro para a mãe, contando que ela dará um jeito de aplacar a reação do pai ou dos demais.

Nisso, vai significando ao filho(a) que; “Você pode contar com minha acolhida”, “Existe um lugar que você pode admitir suas fraquezas, seus fracassos e até mesmo seus erros, que encontrará colo, carinho e compreensão”, “Não tenha medo, eu estou aqui”.

Jesus também usou em Suas falas, exemplos para o Reino dos Céus que eram típicos dos trabalhos femininos na cultura local de Nazaré: (cf. Lc 15, 8; Mt 13, 33), demonstrando que além do exemplo de seu Pai José, Ele aprendeu também muitas coisas com Sua mãe Maria. Estava junto com ela, observando-a e absorvendo o conhecimento que Lhe serviu para a vida.

Além das pessoas adultas trazerem consigo as impressões registradas pelos seus pais desde a infância, esta será a base que eles terão também para formar sua própria família futuramente. Da forma como vemos, ouvimos e sentimos nossos pais, muito provavelmente faremos com nossos filhos. Os homens aprendem a serem pais com seus respectivos pais. As mulheres a serem mães com suas respectivas mães.

A psicóloga Solange Rosset publicou um artigo em que vem confirmar a importância nos diversos papéis entre homem e mulher na vida familiar no artigo: “Casal que define bem os papéis na relação cria filhos mais equilibrados” e ainda vai além, relatando possíveis consequências negativas quando este equilibrio não acontece. “Quando as fronteiras dentro do casal não são bem definidas, é possível que um filho venha a desempenhar uma função que não deveria ser sua, mas do pai ou da mãe. Isso perturba o desenvolvimento da criança”. ( Revista Caras, edição 916, ano 18, nº 21 – 27/05/2011, cf. http://www.caras.com.br/edicoes/916/textos/casal-que-define-bem-os-papeis-na-relacao-cria-filhos-mais-equilibrados/)

Quando vão crescendo, os filhos podem tomar as dores e preencher lacunas, desempenhar papéis que seriam próprios do pai ou da mãe. Isso, além de atrapalhar o desenvolvimento da criança e do adolescente, por falta de exemplo e de referência, ainda dificulta a estruturação do lar, já que lança os rebentos em tarefas em que não estão ainda preparados e maduros.

Se numa casa o masculino oprime o feminino, assim entenderão as crianças, e é quase certo que assim serão os meninos desse lar no futuro. As meninas propensas a serem somente eternas serviçais dos seus futuros maridos, conformando-se, mas infelizes. Ou então, irão se rebelar e lutar com todas as forças contra esse tipo de tratamento, porém da forma errada, já que estavam, desde cedo, lutando pelo papel que é da mãe e não seu próprio. Faltará a referência feminina da mãe que foi anulada.

Se um pai não gosta de trabalhar, adultera ou cultiva vicios, ou o filho lhe seguirá o exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra seu pai.

É importante lembrar que tanto o menino quanto a menina precisam do amor de ambos – do pai e da mãe.

O menino, por mais que se identifique com a mãe, buscará espelhar-se no pai. É a referência masculina, em que ele aprenderá a ser homem.

A menina, por mais que se identifique com o pai ou não, buscará espelhar-se na mãe. É a referência feminina, em que ela aprenderá a ser mulher.

O pai, por sua vez, é quem dará a noção do mundo, do externo.

A mãe, dará a noção de interioridade, de sentimentos, da casa interior do coração.

Se não há essa devida equação nos tornamos homens e mulheres inacabados. Seres em que falta desenvolver alguma parte de si. Nascemos com o dom, a vocação, a capacidade e a força para ser, mas a ausência de indicadores na vida não nos permitem avançarmos e chegarmos à plenitude.

As mensagens que os pequenos gestos registrados pelo pai e pela mãe na infância e adolescência e que ficam em nossa mente, serão excenciais quando não os tivermos por perto. Continuaram ecoando e produzindo efeito no animo da pessoa. (“Você é capaz”, “Eu acredito em você”, “Existe alguém junto com você, alguém que te olha, mesmo quando você se sente sozinho no desafio” – “Você pode contar com minha acolhida”, “Existe um lugar que você pode admitir suas fraquezas, seus fracassos e até mesmo seus erros, que encontrará colo, carinho e compreensão”, “Não tenha medo, eu estou aqui”)

Muitos dos sofrimentos, dos medos, as paralisias diante do novo, o sentimento de estar sozinho que trazemos em nossa vida, podem estar relacionados com a impressão de ausência daquilo que nos faltou em nossos primeiros anos.

Não aprendemos ser lançados nos desafios que a vida impôs, pois, ninguém fez isso conosco, não nos foi ensinado um trabalho, não aprendemos com a natureza os processos de demora e alcance de maturidade. Talvez não tenhamos tido um colo para chorar e hoje não nos sentimos no direito de mostrar fraquezas, sermos nós mesmos verdadeiramente, talvez não confiamos nas pessoas, porque nunca alguém se mostrou interessado nas machucaduras que trazemos e tivemos que sofrer a dor mesmo sem remédio.

Quando percebemos os desacordos e descaso entre nossos pais, tentamos arrumar o que era imperfeito, mas isso só trouxe a sensação de nossa impotência, pois continua do mesmo jeito. Quem sabe até nos causando aversão ao casamento ou a certas obrigações que ele traz. Também podemos ter feitos votos intimos, compromissos interiores que atingiram nosso inconsciente e que podem atrapalhar nossa história futura com alguém totalmente diferente do mal exemplo que tivemos.

E como reparar tudo isso?

Tomando consciência dos papéis distintos entre o homem e a mulher num lar, já podemos mergulhar em nossa história de vida e analisar se algo nos faltou. Rastrear os reconditos mais escondidos do nosso ser e enxergar se os sofrimentos do presente podem ter a raiz na infância ou adolescência por uma falha da referência do amor de pai ou de mãe.

Também com essa clareza, direcionar o futuro. Qual o meu papel? Como quero ser, como estou sendo?

E depois, também pela ciência – conhecimento do hoje – juntamente com a força do Espírito Santo, acreditar que é possível dar o que não recebemos de nenhuma criatura humana, ensinar o que não aprendemos de ninguém. Pois, o espírito Santo pode nos nutrir e fazer novas todas as coisas.

“Oh! Todos que estais com sede, vinde buscar água! Quem não tem dinheiro, venha também! Comprar para comer, vinde, comprar sem dinheiro vinho e mel, sem pagar!” (Is 55, 1)

Este versículo trata na verdade, não do alimento, no sentido literal, mas de que Deus quer subsidiar a alma daqueles que não tem mérito, dos que não aprenderam, aqueles que nunca receberam tudo o que viria a ser suas necessidades.

Somente uma experiência de amor com Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo é que pode colocar algo bom onde ficou uma lacuna, um espaço vazio. Não há mal que Ele não possa vir a reparar.

Mesmo sem recursos chegue perto de Jesus e Ele que é o Amor, Ele que te amou desde sempre, lhe ensinará a amar seus filhos, seu pai e sua mãe, da forma como eles também precisam e talvez nunca foram amados e nunca aprenderam.

Recomendo aqui um outro artigo: “Conseguirei dar o amor que nunca recebi?” (http://blog.cancaonova.com/sandro/2011/05/11/conseguirei-dar-o-amor-que-nunca-recebi/)

Volte para sua família. Olhe para seu pai ou sua mãe com misericórdia. Na maioria das vezes, eles também foram mais vitimas do que culpados, pois também lhes foi negado uma face do amor paterno ou materno.

Mesmo que eles já não estejam em nosso meio, entre em seu coração e lembre das coisas boas que eles lhe fizeram, do cuidado, à forma deles, mais ainda assim cuidado. Entregue tudo diante de Jesus Eucaristico.

E levante-se para o novo, que agora tendo tomado consciência, você, agindo com a graça de Deus, pode fazer com que o mal sofrido, qualquer tendência a vício ou maldição, sejam interrompidos em você, em sua geração.

Onde houver o desejo de acertar já há amor. E é isso que sua família precisa.

Deus abençoe você e os seus!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ser pessoa é muito complicado

O mundo de hoje é complexo. O emaranhado de informações a que temos acesso nos comunica, mas não nos formam. Temos sistemas cada vez mais sofisticados, burocracia para tudo, muitos meios carregados com dados de toda natureza, corretos e até incorretos. E tudo isso para chegar onde mesmo?

Acabamos ficando exigentes, intransigentes, complexos e, às vezes, mal educados.

O homem mais incrível que habitou a face da terra nos disse: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” (cf. Mt 10, 16). Até procuramos exercitar a prudência, o que muitas vezes nos remete a cercarmos de processos a nossa volta, tornando tudo muito difícil. Jesus, pelo contrário era capaz de decifrar os códigos mais ininteligíveis do ser humano e devolver em forma desmistificada.

Exorcizou demônios com práticas modestas: “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (cf. Mt 17, 20). Mostrou como alcançar os favores do inalcançável Pai Altíssimo: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto” (cf. Mt 7, 7); Mostrou como orar: “Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras”; “Pai Nosso” (cf. Mt 6, 9); falava em parábolas quando os homens não entendiam (cf. Mt 13, 36; Lc 15, 12), ou comparava a realidade rural com os mistérios do Reino dos Céus para os homens simples entenderem (cf. Mt 13, 32).

E Ele quis ensinar o homem a ter uma essência simples. Olhar o outro lado da trama e verificar o que realmente importa.

Geralmente o cerne do problema está envolvido por um novelo de situações que lhe conferem um maior corpo, configurando o que é simples em uma enorme dificuldade.

Complicamos as coisas, principalmente quando queremos que nossas ações tenham resultado. E quanto maior o esforço e o tempo, mais nos perdemos em expectativas. E isso é só um exemplo do que agiganta e encorpa nossas agruras. Queremos falar e imediatamente sermos ouvidos, plantar e colher, transmitir e receber. O estado da impotência é humilhante, tanto quando fazemos pelos outros, quanto ao nos vermos incapazes diante de nós mesmos. O orgulho da obrigação de ter que fazer dar certo é o que nos torna intolerantes.

Um coração refinado não impõe sua verdade. Antes, aguarda o momento em que a força do seu amor, encontre a abertura necessária no coração do outro ou ache portas entreabertas nas situações da vida. Permite-se estar na impotência, não como atitude de passividade, mas contemplando e entendendo melhor qual o centro da complexidade. Jesus esperou a conversão de Maria de Bethânia, mesmo após a ressurreição de seu irmão Lázaro. Nem este gesto a convenceu naquela hora. (cf. Jo 12, 1-10)

Descomplica-se quem não acredita somente na sua iniciativa. Ser simples é acreditar no poder do Alto. Com a inocência e simplicidade de uma criança, saber que existe um Pai que, em todo momento cuida de nós “todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará” (cf. Mt 10, 15).

É Ele quem tudo realizará. Somos meros semeadores, tudo o que devemos fazer é plantar as sementes, gastar nossos talentos. Os corações são terrenos. E quem se encarrega de fazer germinar é o Senhor. Somente ame!

Se a nossa essência for de amor, tudo ficará mais simples.

Deus os abençoe!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dizer não é também amar

Amar não é e nunca será tarefa fácil, exige de nós empenho e decisão. O amor sincero comporta o sofrimento e a doação em favor do outro. Pelo bem do outro, inúmeras vezes, enfrentamos dificuldades que nos causam dor e pesar.

Existem situações nas quais temos de desagradar a quem amamos em virtude de seu próprio bem. Tais decisões são difíceis e doem mais em nós do que naqueles que são objetos de nossa repreensão. Porém, é importante salientar que corresponder sempre e irrefletidamente aos desejos de quem se ama pode se tornar algo negativo, que tende a deformar e não formar. Dentro dessa perspectiva, afirmo que: “Dizer ‘não’ também é uma forma de amar”.

Limites são necessários para qualquer ser humano, pois, por meio deles, alcançamos equilíbrio e maturidade. Pais que não impõem limites aos filhos acabam criando pequenos reis e rainhas e, conseqüentemente, tornando-se seus súditos.

Somente quem já recebeu um “não” na vida consegue compreender a especificidade da palavra humildade. Somente aqueles que não foram correspondidos no que queriam, em algum momento de sua história, sabem compreender que sua vontade não é absoluta e que nem sempre estão certos.

É no “não” e no “sim”, no equilíbrio das possibilidades, que se forma uma pessoa, é assim que o orgulho se ausenta e o ser humano consegue entender que os outros também são bons.

Nem tudo o que queremos é o melhor para nós, porém, nem sempre conseguimos enxergar assim. É aí que descobrimos quem nos ama, pois os que sinceramente se interessam por nós não têm medo de nos dizer a verdade e de nos corrigir quando necessário.

Não é fácil corrigir e dizer 'não'; seria mais fácil e conveniente dizer sempre 'sim' e estar sempre sorrindo, pois quem diz 'não' se expõe e, muitas vezes, atrai sobre si a ira do outro. Quem corrige, mesmo querendo o bem do outro, corre o risco de ser mal interpretado, contudo, demonstra um grande amor e cuidado com o outro.

Só quem nos ama nos diz 'não'. Só quem se interessa por nós tem a sensibilidade de cuidar de nós, através da poda.

Precisamos ter sensibilidade para detectar e aceitar o amor que se manifesta em uma multiplicidade de formas e que nos encontra também naquilo que tanto nos desagrada.

Se enxergarmos assim, sentiremo-nos mais amados e cuidados, evitaremos muitas contrariedades, além de descobrirmos belezas antes não contempladas. Faça essa experiência!

Adriano Zandoná

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O papel da mãe na criação dos filhos

Educar os filhos é a grande missão que Deus confiou aos pais. É por causa da importância dessa tarefa, que nos deu o quarto Mandamento: “honrar pai e mãe”. Sem a educação dos pais os filhos se perdem; é por isso que as nossas cadeias estão cheias de jovens e a droga consome a muitos, além do mundo do crime.

Nada é tão grande neste mundo como construir um ser humano. As máquinas acabarão um dia, mas o nosso filho jamais.

É pela educação que o ser humano conquista e desenvolve as suas faculdades; e Deus quis que isto fosse feito antes de tudo pelos pais, e de modo especial pela mãe. Hoje sobretudo, onde muitas mães são obrigadas a criar sozinhas os seus filhos, porque são “órfãos de pais vivos”, essa missão se torna mais importante e árdua ainda. Neste caso o papel da mãe triplica de importância, porque ela tem que fazer o papel do pai e dela mesma.

Ghandi dizia que “a verdadeira educação consiste em pôr a descoberto o melhor de uma pessoa.” Para isto é preciso a arte de educar, a mais difícil e mais bela de todas.

Certa vez Michelangelo viu um bloco de pedra e disse a seus alunos: “aí dentro há um anjo, vou colocá-lo para fora!” Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, fez o belo trabalho. Então os alunos lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. Ele respondeu: “o anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando”. Educar é isto, é ir com paciência e perícia tirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes, até que o “anjo” apareça.

Michel Quoist dizia “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus.”

Educar é colaborar com Deus, e é na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais.

Educar é promover o crescimento e o amadurecimento da pessoa humana em todas as suas dimensões: material, intelectual, moral e religiosa. Por isso, educação não se recebe só na escola, mas principalmente em casa. Às vezes se ouve dizer: “ele é analfabeto, mas é muito educado”. Não adianta ser doutor e não saber tratar os outros como gente; não saber cumprir com a palavra dada; não se comportar bem; trair a esposa e os filhos; não ser gentil; não ser afável, etc. Sem dúvida, a educação é a melhor herança que os pais devem deixar aos filhos; esta ninguém pode lhes roubar nem destruir.

O livro do Eclesiástico diz aos pais: “Aquele que ama o seu filho, corrige-o com freqüência, para que se alegre com isso mais tarde…” (Eclo 30,1).

A educação visa sobretudo colocar o homem no caminho do bem e da virtude, do qual ele sempre tende a se desviar. É aos pais que cabe sobretudo dar início a esta tarefa na vida dos filhos. A Igreja nos ensina que :

“Pela graça do Sacramento do matrimônio os pais receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os seus filhos. Por isso os iniciarão desde a tenra idade nos mistérios da fé, da qual são para os filhos os “primeiros arautos” (LG,11). Associá-los-ão desde a primeira infância à vida da Igreja. (CIC, 2225)

A tarefa de educar, como dizia D. Bosco, “é obra do coração”, é obra do amor, por isso tem muito a ver com a mãe. Sem o carinho e a atenção da mãe a criança certamente crescerá carente de afeto e desorientada para a vida.

O povo diz que atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher, mas é preciso não esquecer que “esta mulher” mais do que a esposa, é a mãe.

É no colo da mãe que a criança precisa aprender o que é a fé, aprender a rezar e a amar a Deus e as pessoas.

É no colo da mãe que o homem de amanhã deve aprender o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração.

É no colo da mãe que a criança aprende a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde e simples e não desprezar ninguém.

É no colo da mãe que o filho aprende a caridade, a vida pura da castidade, o domínio de todas as paixões desordenadas e a rejeitar todos os vícios.

É a mãe, com seu jeito doce e suave, que vai retirando da sua plantinha que cresce a erva daninha da preguiça, da desobediência, da mal-criação, dos gestos e palavras inconvenientes. É ela que vai lhe ensinando a perdoar, a superar os momentos de raiva sem revidar, a não ter inveja dos outros que têm mais bens e dinheiro.

É a mãe que nas primeiras tarefas do lar lhe ensina o caminho redentor do trabalho e a responsabilidade.

Até o filho de Deus quis precisar de uma Mãe para cumprir a sua missão de salvar a humanidade; e Ele fez o seu primeiro milagre nas bodas de Caná exatamente porque ela lhe pediu. Por isso, cada mãe é um sinal de Maria, que ensina seu filho a viver de acordo com a vontade de Deus.

Neste mundo, às vezes perverso, que penetra sorrateiro em nossas casas, e insiste numa sistemática pregação de anti-valores por algumas tvs, mais do que nunca é necessário uma mãe atenta para combater tudo aquilo que prejudica a educação dos seus filhos.

Mais do que nunca ela precisa saber conquistar os seus filhos, não por aquilo que lhes dá, mas por aquilo que é para eles: amiga de todas as horas, consoladora. Saiba sempre corrigir o seu filho, mas que nunca seja com grosseria, com gritos ou com humilhações. E jamais na frente dos outros.

Se você conquistar o seu filho a ponto dele ter um sagrado orgulho de te-la como sua mãe, então, você poderá fazer dele o que desejar.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Por que os jovens optam por morar juntos?

As estatísticas não deixam margem a dúvidas. Se unir-se em santo matrimônio, ou "casar na Igreja", sempre foi uma luta secular (milenar) da Igreja, nos últimos decênios se acentuou perigosamente essa tendência. Os missionários leigos de uma Paróquia, certa ocasião, percorreram os domicílios de um bairro, no qual a grande maioria se professava católica. Verificaram que mais de 80% da população não era legalmente casada (no civil), e mais de 90% dos católicos não tinham um casamento abençoado pela Igreja. Os jovens tinham o costume de "ajuntar os trapos" e irem morar juntos. Isso de "casar com papel passado" sempre ficava para depois; isto é, para nunca. Tais casais ficam tolhidos em sua plena participação na vida da Igreja. É uma deficiência de raiz, para formar uma boa família. O que intriga são as razões de tal procedimento.

Sem explorar todos os motivos que podem originar essa vida, sem a certeza da graça de Deus na família, vou me deter, sobretudo, num deles. É a característica, descrita por Jesus, da perpetuidade do casamento; isto é, o matrimônio não deve ser dissolvido pela separação. Tal exigência vem para o bem do casal e para o bem dos filhos. A Igreja, acolhendo o ensinamento do Mestre, mostra que a fidelidade perpétua faz parte integrante de uma família.

Os namorados, contudo, vão mais longe que os apóstolos de Jesus. Estes, ao ouvirem as exigências de Cristo sobre o casamento, exclamaram: "Mas então é melhor não casar". Os jovens e os adultos de hoje falam: "Então é melhor se ajuntar". Os casadouros raciocinam: "Se o casamento não der certo, então é preciso desfazê-lo e partir para outra solução".

O que falta aos noivos de hoje é um sério namoro, bem conduzido, com o objetivo de conhecer a personalidade do parceiro. A maioria das uniões nasce de uma paixão momentânea, de um lampejo de ardor sexual, de uma intuição de feliz convivência. Não existe a paciência de um conhecimento mais profundo ou a verificação do modo como o parceiro sabe administrar as contrariedades. Mas o que falta mais é arrojo de crer no parceiro e saber que a graça divina estará com todos aqueles que recebem a graça do sacramento do matrimônio.

Dom Aloísio R. Oppermann – Arcebispo de Uberaba-MG
domroqueopp@terra.com.br

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Para encontrar a pessoa certa é preciso ser a pessoa certa

Vivemos em uma sociedade que cada vez mais despreza todas as formas de compromisso e de seriedade relacional. Diante disso, experiências de supostas aventuras momentâneas acabam, na maioria das vezes, prevalecendo diante do desejo de se viver um comprometimento sério no namoro.

De fato, em meio às frágeis concepções relacionais existentes em nosso tempo, torna-se cada vez mais difícil encontrar “a pessoa certa” para se viver um sadio relacionamento afetivo. Além do que, neste processo de encontrar a pessoa certa muita paciência e sabedoria são necessárias.

Aqui se aplica concretamente a antiga máxima: “Antes só do que mal acompanhado”, pois, em tais circunstâncias uma escolha errada pode acarretar terríveis e desagradáveis consequências: afetivas, emocionais e existenciais.

Para se encontrar a pessoa certa é preciso antes ser a pessoa certa, ou seja, é necessário estar preparado para tal encontro, para, assim, poder oferecer o melhor de si ao outro.

O namoro é uma realidade para a qual é preciso preparar-se, e preparar-se bem: através oração e vivência dos sacramentos, buscando a própria cura interior, procurando moldar as fragilidades do temperamento, entre outros. Enfim, para ser a pessoa certa para o outro se faz necessário estar bem consigo, com os próximos e, principalmente, com Deus.

E só está realmente bem aquele que não centrou seu coração em si mesmo, mas n’Aquele que lhe é infinitamente superior, dando a Este a total prioridade em tudo o que se é e se faz. O encontro com um “outro” não pode ser a única e cega meta da vida, mas ao contrário, deve ser a simples consequência do encontro com o “Outro”, que confere o verdadeiro lugar para todo e qualquer afeto humano.

Quem ainda não colocou o Sagrado no centro de sua existência não está pronto para viver um relacionamento sadio, pois correrá o sério risco de divinizar o outro, dando a este um lugar devido somente a Deus e, consequentemente, exigindo dele o que somente o Senhor pode lhe oferecer, tornando, dessa forma, a relação pesada e sufocante.

Existem lacunas em nós que somente o amor de nosso Autor poderá preencher, e apenas a partir de um profundo encontro com Ele nossos relacionamentos poderão tornar-se maduros e realmente bem sucedidos.

O amor só pode ser vivenciado com vida e equilíbrio, onde o “Amor” verdadeiramente saciou as fragilidades e vazios do coração.

Vivendo a partir de tais princípios e cuidando sempre e bem do coração, nós nos tornaremos capazes de inaugurar as devidas vias que precederão a tão desejada interação, a ser realizada pelo namoro, e poderemos assim saborear seu posterior êxito e plenitude.

Deus o (a) abençoe!
Adriano Zandoná

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A diferença de religião nos relacionamentos

Convivemos com algumas pessoas que professam espiritualidades diferentes da nossa e com as quais consideramos possuir um bom nível de relacionamento. Ainda assim, podem acontecer pequenas discussões a respeito daquilo que um ou outro acredita acerca de uma “verdade”. Mas, como colegas, sabemos que o que mantém o relacionamento em comum é a amizade, o trabalho, a diversão, entre outras coisas fundamentadas no respeito mútuo e na prudência; especialmente, quando as conversas tocam nos respectivos valores morais ou dogmas defendidos pelos amigos. Entretanto, essas diferenças podem ser um desafio a mais quando a pessoa se descobre encantada por alguém de religião diferente, pois de um lado estão os valores de sua profissão de fé e do outro o sentimento que acredita completar seu ser.

Viver o compromisso de uma vida a dois com alguém que professa um outro credo é uma questão que pode trazer algumas dificuldades para o casal no futuro. Praticamente todas as diferenças de comportamento e de hábitos são passíveis de adaptações e de mudanças, mas quando se trata de doutrina e fé, imagino que nenhum casal queira fazer concessões e abrir mão daqueles valores que fazem parte da educação de cada um. Assim, a espiritualidade dos namorados também poderá ser um fator relevante para as tomadas de decisões.

É interessante perceber que, na maioria das vezes, as pessoas que levantam tais preocupações são aquelas que buscam a fidelidade no exercício de sua fé. Para elas, talvez, a espiritualidade do namorado seja uma das primeiras coisas que gostariam de saber a respeito. Outras, entretanto, que apenas se dizem pertencer a uma denominação cristã ou crença religiosa, certamente, não vão considerar a religiosidade uma questão relevante a ponto de interferir no relacionamento. É claro que ninguém vai fazer um debate religioso logo no primeiro encontro, mas se o relacionamento manifesta sinais de ficar sério, tocar nos pontos significativos para o casal será uma boa ideia; e quanto mais cedo, melhor.

Os encontros religiosos promovidos para os fiéis têm como objetivo aproximar e fortalecer o conhecimento destes por meio de estudos e discussões, visando ampliar seus horizontes sobre o conhecimento de sua fé. Todavia, para isso acontecer entre casais de credos diferentes vai significar a renúncia da fé por parte de um dos dois. E quem, entre eles, estaria disposto a ser catequizado depois de adulto na fé do (a) namorado (a)?

Seja o casal fervoroso na sua fé ou não, o fator “religiosidade” é um assunto que não se restringe apenas a eles. Quase sempre, namorar alguém que vive uma outra espiritualidade pode causar inesperadas implicações para os familiares e amigos próximos. As famílias dos namorados percebem tais dificuldades quando se deparam com as práticas e os ritos estabelecidos pela espiritualidade vivida por aquele que está chegando à família, como por exemplo, na celebração dos dias comemorativos, nos ritos fúnebres, batizados, casamentos, entre outros. Para algumas pessoas certas manifestações religiosas podem parecer um insulto à sua profissão de fé. Esses impasses podem ser, também, um obstáculo para o crescimento do relacionamento.

Quanto menores as diferenças, tanto maiores são as chances de adaptações e progressos em nossos convívios. Algumas vezes, a diferença das práticas dos cultos religiosos é superada quando um resolve se converter à fé do outro; outros preferem aprender a aceitar a diferença permanecendo cada um na sua fé. Todavia, imaginemos o futuro dos filhos que hão de vir dessa união. Em qual religião essa criança será catequizada? Pois de certa maneira, tanto o namorado quanto a namorada acreditam que sua opção de fé seja a melhor para educar a criança.

Se acreditamos que a nossa felicidade depende de nossas escolhas, então procuremos fazê-las com bastante cuidado e zelo para que maiores sejam as oportunidades de alegria dentro de nossos relacionamentos.

Um abraço
Dado Moura

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A gravidade da traição no namoro

Embora no namoro não exista o compromisso definitivo como no casamento, e não seja um sacramento, a traição realizada nesse relacionamento não deixa de ser uma falta grave, especialmente se envolveu um relacionamento sexual com outra pessoa. Neste caso, além da falta da traição, há o grave pecado de fornicação, sexo antes ou fora do casamento vivido por duas pessoas que não são casadas. Não custa lembrar o que disse São Paulo sobre a gravidade desse pecado: “Nem nos entreguemos à fornicação, como alguns deles se entregaram, de modo a perecerem [...]” (I Cor 10,8).

Mas, mesmo que não tenha havido fornicação e a traição tenha sido de outra forma, por exemplo, começar a namorar outra pessoa sem terminar o primeiro namoro, a falta é grave, pois trair alguém é ferir profundamente a pessoa que lhe confiou a intimidade e de certa forma a vida. Toda traição, por menor que seja, deixa marcas e traumas no coração da pessoa enganada.

Muitos jovens têm medo de partir para um novo namoro porque experimentaram a dor de uma traição e temem ser novamente traídos e enganados e sofrem muito por isso. “Será que eu não serei decepcionado (a) novamente?”.

É preciso dizer a essas pessoas que foram duramente machucadas, que lutem contra esse sentimento de medo e de derrota e que enfrentem um novo relacionamento com coragem e sensatez. Não é porque você foi traído uma vez que obrigatoriamente o será novamente; não; as pessoas são diferentes. Aproveite a experiência que você acumulou com essa traição; sabemos que mesmo do pior mal Deus sabe tirar algum bem para os que O amam.

O namoro é um tempo de conhecimento e de escolha, no qual cada um precisa se revelar ao outro e mostrar de certa forma o seu interior. Mas isso há que ser feito num ambiente de fidelidade para que possa acontecer com sinceridade e transparência. O compromisso de namoro pode ser rompido de comum acordo ou mesmo somente por apenas uma das partes, pois não é uma aliança definitiva.

Penso, contudo, que, como todo pecado, a traição também possa ser perdoada se, de fato, o culpado se arrepender sinceramente e der provas disso, mas precisa saber que “o vaso de cristal foi trincado”; a confiança do outro não será mais a mesma porque a marca ficou gravada no coração. Sempre poderá surgir no pensamento da pessoa traída a pergunta: "Será que ele (a) não me trairá novamente?"

Então, se desejamos um namoro belo e íntegro, neste deve haver fidelidade; não pode ser comprometido com sinalizações afetivas para com outra pessoa, mesmo de maneira disfarçada. Ninguém é obrigado a namorar, mas todo (a) namorado (a) é obrigado (a) moralmente a ser fiel ao outro, sob pena de se diminuir diante de si mesmo; é uma questão de caráter, algo que infelizmente hoje não é muito cultivado.

Quem trai no namoro é alguém que não sabe ainda a importância desse relacionamento e que, por isso, faz dele apenas um meio de diversão ou de busca de prazer ou outras aventuras. Traição é sinal de imaturidade e de falta de responsabilidade. É prova de que não se sabe amar; é sinal de egoísmo que aceita destruir o sentimento do outro para viver uma nova aventura amorosa.

Se alguém acha que não está satisfeito com o namoro, então, este pode romper com o compromisso, sem problemas, mesmo que a outra parte queira continuar o relacionamento. Mas o que não deve acontecer é a traição.

Felipe Aquino

sexta-feira, 9 de julho de 2010

É namoro ou amizade?

Fazem parte do processo de amadurecimento humano as muitas dúvidas e as muitas perguntas que nos fazemos. Quando se trata de relacionamento, então, isso só aumenta. Ao conhecermos alguém e começarmos a nos aprofundar em uma amizade, chega um momento em que os sentimentos se confundem e a velha pergunta é feita no interior do nosso coração: "É namoro ou amizade?" O problema não está em se questionar, mas em querer obter respostas imediatas. Quem não espera o tempo certo da resposta e se precipita, não só corre o risco de perder uma boa amizade como também pode colocar a possibilidade de um bom namoro a perder.

Quando se trata de sentimento, as confusões interiores são naturais. Nosso coração, muitas vezes, é território desconhecido e surpreendente. A cada nova experiência ele age de maneira inusitada, nos desconcertando e nos deixando sem saber como agir. Não há uma regra no que se refere a sentimento e a relacionamentos, só a prudência no parar, esperar, observar para depois agir.

Toda amizade passa por fases de maturidade, as quais vão se desenrolando à medida que nos aproximamos da outra pessoa. Dentre essas fases, uma delas é conhecida pelas pessoas mais requintadas como "enamoramento", mas nós preferimos chamá-la de "paixão", cuja definição mostra bem os sentimentos que são vividos nesse momento: sentimento forte; designa amor, atração, acentuada predileção, etc. Quando nos aproximamos de alguém, nos tornamos amigos – seja de um homem ou de uma mulher – existe aquele momento de querer estar sempre perto, de saber e participar da vida do outro, das suas lutas, dos seus desejos, de querer bem, de se importar com tudo o que ele vive, de cuidar, de amar de forma concreta. É justamente dessa fase, completamente espontânea em qualquer amizade, que nós estamos falando.

É nesse momento do relacionamento que a pergunta surge e começamos a nos questionar, o que é muito natural, principalmente quando diz respeito a uma amizade entre um homem e uma mulher. Mas se tentamos, já nesse estágio, dar respostas a esse questionamento podemos colocar tudo a perder. Isso acontece porque a paixão é comum tanto nas amizades, quanto nos relacionamentos amorosos, o que pode confundir o nosso coração. Mas então como discernir?

A primeira coisa é deixar esse tempo de intensas emoções passar. Deixar que o tempo seja o nosso melhor amigo e nos mostre a vontade de Deus para esse relacionamento. Só quando a poeira das emoções fortes abaixa é que conseguimos enxergar as coisas como realmente são. Depois disso vemos a pessoa como verdadeiramente ela é, sem impressões imediatistas, percebendo seus defeitos e reforçando as suas qualidades. É nesse momento que vamos parar, ponderar e, muito sinceramente, buscar em Deus uma resposta, para só então agir.

Quando não se vive esse processo de maneira tranquila e sadia, muitos problemas aparecem. Uma amizade que tinha tudo para dar certo, para fazer duas pessoas crescerem juntas, pode ser jogada no lixo pela pressa em responder aos questionamentos interiores. E, com isso, sempre alguém sai ferido por se sentir usado, por se desiludir com a outra pessoa e achar que tudo não passou de simples interesse.

Todo bom namoro começa com uma boa amizade. Mas nem toda boa amizade termina em um bom namoro. É preciso muita prudência, muita calma e paciência. Quem vive este tempo de forma madura acaba colhendo os melhores frutos do relacionamento. O namoro gerado pela amizade é sadio, sem ilusões ou precipitações, pois as pessoas lutaram para se conhecer antes de tomarem qualquer atitude. Por outro lado, se o relacionamento permanecer como uma boa amizade, o conhecimento adquirido e a maturidade alcançada pelos amigos vão gerar muito respeito, confiança e liberdade entre os dois. Em ambos os casos, a espera sempre é o preço e a certeza da felicidade.

Talvez você esteja com esse questionamento no seu coração. O relacionamento com alguém muito especial está levando você a se perguntar sobre a vontade de Deus para determinada amizade. Pare, espere, observe, reze e só então aja. Não queira se juntar ao grupo cada vez maior de pessoas frustradas em tantos relacionamentos, pois confundiram as coisas e trocaram os pés pelas mãos. Não se deixe levar pelo borbulhar de seus sentimentos, mas espere tudo se acalmar em seu interior para que você possa discernir bem a vontade de Deus e não colocar tudo a perder.

Entretanto, é bom lembrar que essa espera e esse discernimento precisam acontecer de ambas as partes. Ninguém ama sozinho nem convence o outro a amar. Por isso é preciso deixar passar a fase da paixão em ambos os corações, para então buscarem juntos – e em Deus – uma resposta coerente.

Quem em suas amizades soube viver tudo isso de forma serena e acertada, hoje pode testemunhar, pelos frutos, a realização plena da vontade de Deus. Por isso saiba esperar para depois responder a essa pergunta. Se é namoro ou amizade só o tempo vai responder, por isso, pague o preço da felicidade: espere!

Seu irmão,

Renan Félix

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Família: uma escola de amor

Todos nós precisamos do amor puro uns dos outros. Precisamos do amor de nosso pai... e como é importante a presença, o carinho, a segurança, a firmeza, as correções, as ordens, e até mesmo as zangas e broncas do pai... Tudo isso é amor e é essencial para nosso crescimento, nosso equilíbrio, nossa maturidade e formação.

Nem preciso dizer o quanto precisamos do amor de mãe, da presença, do carinho, da correção, do perdão que só a mãe sabe dar. Todos nós precisamos do amor puro de nossos irmãos e irmãs, da convivência, das diferenças e até mesmo das dificuldades. Tudo isso faz parte de nosso crescimento e de nossa maturidade. Sem isso, ficamos afetivamente imaturos.

A família é o nosso hábitat, é o ambiente natural, criado por Deus, para aprendermos a dar e receber amor. É no ambiente caloroso de um lar, no aconchego de uma família, por mais simples e pobre que seja, que aprendemos a amar e ser amados. Deixe-se ser atingido por gestos de amor, de bondade, de carinho, de compreensão, de perdão...

Precisamos de amor puro do pai, de mãe, de irmão... Precisamos de amor puro de nossa família. Sim, a família é e precisa ser um “oásis de amor”. É urgente preservar esses oásis de amor que ainda existem. Como é bom ser família! Como é bom ter a presença de homens e mulheres, de adultos, de jovens e de crianças! Como é bom ter diferenças... Diferença de gênios, de temperamentos, de opiniões, de pontos de vista... Que bom conviver com o diferente! É na família que nos conhecemos, nos descobrimos, nos aproximamos, nos corrigimos, nos desentendemos e nos perdoamos... Na família, nem tudo é 100%, mas nela nos amamos, nos perdoamos, nos reconciliamos. E aí está o essencial: a família é um “oásis de amor!”

A pedagogia utilizada por Dom Bosco para educar a juventude de sua época continua a ser um milagre vivo. Há mais de 150 anos tem sido eficiente na educação de jovens e adultos por todo o mundo. Sua educação para a vida oferece a convivência no amor, um modo simples de amar e querer bem ao próximo. Todo processo educativo tem seu início no seio da família, por isso, o método de Dom Bosco pode ser usado integralmente pelos pais na arte de educar no dia a dia. É uma pedagogia que atrai, encanta, transforma, envolvendo pais, filhos, mestres e alunos em um ambiente de alegria. Apresento-lhe como proposta para a formação de seus filhos os 10 pontos básicos do método preventivo de Dom Bosco:

1) VALORIZE SEU FILHO.
2) ACREDITE EM SEU FILHO.
3) AME E RESPEITE SEU FILHO.
4) ELOGIE SEU FILHO SEMPRE QUE PUDER, E ELE MERECER.
5) COMPREENDA SEU FILHO.
6) ALEGRE-SE COM SEU FILHO.
7) APROXIME-SE DE SEU FILHO.
8) SEJA COERENTE COM SEU FILHO.
9) PREVENIR É MELHOR QUE CASTIGAR SEU FILHO.
10) REZE COM SEU FILHO.

Deus abençoe você!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A beleza da amizade

No conturbado mundo de hoje a ausência da verdadeira amizade é uma das causas de inúmeros males. É este laço sagrado que une os corações. Quirógrafo das almas nobres, é a afeição que fundamenta o lídimo amor, sendo este a própria amizade em maior intensidade.

Desde a mais remota Antiguidade o homem se interrogou sobre a essência da amizade. Filosofou sobre este aspecto da interação humana. Podemos dizer que a amizade é uma certa comunidade ou participação solidária de várias pessoas em atitudes, valores ou bens determinados. É uma disposição ativa e empenhadora da pessoa.

O valor da amizade foi revelado pela Bíblia: "O amigo fiel não tem preço" (Sl 6,15), pois "ele ama em todo o tempo" (Pv 17,17. "O amigo fiel é uma forte proteção; quem o encontrou, deparou um tesouro" (Eclo 6,14). "O amigo fiel é um bálsamo de vida e de imortalidade, e os que temem o Senhor acharão um tal amigo" (Eclo 6,16).

A função psicossocial da amizade é, assim, de rara repercussão. Ela é fator de progresso, pois o amigo autêntico aperfeiçoa e educa pela palavra e pelo exemplo; é penhor de segurança, uma vez que o amigo leal é remédio para todas as angústias, dado que a amizade é força espiritual. Entretanto, há condições para que floresça a amizade.

Pode-se dizer que são seus ingredientes: a sinceridade, a confiança, a disponibilidade, a tolerância, a compreensão e a fidelidade. Saint-Exupéry afirmou em sua obra "O Pequeno Príncipe": "És eternamente responsável por aquilo que cativas".

Na plenitude dos tempos Jesus apresentou-se como legítimo amigo. Ele declarou: "Já não vos chamo servos, mas amigos" (Jo 15,15) e havia dito: "Ninguém dá maior prova de amor do que aquele que entrega a vida pelos amigos" (Jo 15,13). Rodeou-se de pessoas, as quais se repletaram dos eflúvios de Sua bondade. Felizes os que O conheceram, como Lázaro, Marta, Maria, Seus amigos de Betânia; os Doze Apóstolos; Nicodemos; Zaqueu; Dimas, o bom ladrão; e tantos outros. É, porém, preciso levar a amizade a sério.

A Bíblia assegura que "O amigo fiel é medicina da vida e da imortalidade" (Eclo 6,16). Disse, porém, Santo Agostinho: "A suspeita é o veneno da amizade". Bem pensou, porque a amizade finda onde a desconfiança começa. O amigo é luz que guia, é âncora em mar revolto, é arrimo a toda hora. Esparge raios de sol de alegria, derramando torrentes de clarões divinos. Dulcifica o pesar. Tudo isso merece ser pensado e repensado. É essencial, todavia, meditar também sobre o ensinamento bíblico: "Quem teme a Deus terá bons amigos, porque estes serão semelhantes a Ele" (Eclo 6,17).

Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho*
*Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dez razões para viver a castidade no namoro

1. A pureza ajuda a ter uma boa comunicação com seu (sua) namorado (a).

Quando um casal de namorados vive a abstinência sexual, sua comunicação é boa porque não se concentram somente no prazer, mas na alegria de compartilhar pontos de vista e experiências; além disso, suas conversas são mais profundas. Por outro lado, a intimidade física é uma forma fácil de se relacionar, mas ofusca outras formas de comunicação. É um modo de evitar o trabalho que supõe a verdadeira intimidade emocional, como falar de temas pessoais e profundos, além de conhecer as diferenças básicas que existem entre ambos.

2. Cresce o lado amistoso do relacionamento.

A proximidade física pode fazer com que os jovens pensem estar emocionalmente próximos, quando, na verdade, não o estão. Um relacionamento romântico consiste essencialmente em cultivar uma amizade e não há amizade sem diálogo e sem compartilhar interesses. A conversa cria laços de amizade e ajuda um a descobrir o outro, a conhecer seus defeitos e qualidades. Alguns jovens se deixam levar por paixões e, depois, quando se conhecem em profundidade, se desencantam. Muitas vezes, nem sequer chegam a se conhecer porque não foram amigos, somente namorados com direitos.

3. Existe um melhor relacionamento com os pais de ambas as famílias.

Quando o homem e a mulher se respeitam mutuamente, amadurece o carinho e melhora a amizade com os pais de ambos. Geralmente, os pais de família preferem que seus filhos solteiros vivam a continência sexual e se sentem mal quando sabem que eles estão sexualmente ativos, sem estar casados. Quando um casal sabe que deve esconder suas relações sexuais, cresce a culpa e o estresse. Os jovens que vivem a pureza se relacionam mais cordialmente com os próprios pais e com os pais do (a) namorado (a).

4. As relações sexuais têm o poder de unir duas pessoas com força e podem prolongar uma relação pouco sã, baseada na atração física ou na necessidade de segurança.

Uma pessoa pode se sentir “presa” a um relacionamento do qual gostaria de sair porque – no fundo – não o deseja, mas não sabe como fazer. Uma pessoa casta pode romper com maior facilidade o vínculo afetivo que o ata ao outro, pois não houve uma intimidade tão poderosa no aspecto físico.

5. Estimula a generosidade contra o egoísmo.

As relações sexuais durante o namoro convidam ao egoísmo e à própria satisfação, inclinam o casal a sentir-se em concorrência com outras pessoas que podem chamar a atenção do (a) namorado (a). Estimulam a insegurança e o egoísmo porque o fato de começar a entrar em intimidade convida a pedir mais e mais.

6. Há menos risco de abuso físico ou verbal.

O sexo, fora do casamento, pode se associar à violência e a outras formas de abuso. Por exemplo, há duas vezes mais ocorrência de agressão física entre casais que convivem sem compromisso do que entre pessoas casadas. Há menos ciúme e menos egoísmo nos casais de namorados que vivem a pureza do que naqueles que se deixam levar pelas paixões.

7. Aumenta o repertório de modos de demonstrar afeto.

Os namorados que vivem a abstinência encontram detalhes “novos” para demonstrar afeto e contam com iniciativas e ideias para passar bem e demonstrar mutuamente seu carinho. O namoro se fortalece e eles têm mais oportunidades de se conhecer no que diz respeito à personalidade, aos costumes e à maneira de manter um relacionamento.

8. Existem mais possibilidades de triunfar no casamento.

As pesquisas têm demonstrado que os casais que já viveram juntos têm mais possibilidades de se divorciar do que os que não fizeram essa experiência.

9. Se você decidir terminar o namoro, doerá menos.

Os laços criados pela atividade sexual, por natureza, vinculam fortemente o casal. Então, se houver uma ruptura, será mais intensa a dor produzida pela separação, devido aos vínculos estabelecidos. Quando não tiverem relações íntimas e decidirem se separar, o processo será menos doloroso.

10. Você se sentirá melhor como pessoa.

Os adolescentes sexualmente ativos frequentemente perdem a autoestima e admitem viver com culpas. Quando decidem deixar de lado a intimidade física e viver castamente, sentem-se como novos e crescem como pessoas. Além disso, melhoram seu potencial intelectual, artístico e social. Com o sexo não se deve jogar. Quando alguém o pressionar dizendo: “Só te peço sexo uma vez e não insistirei mais”, uma boa resposta seria: “Isso é justamente o que me preocupa. Prefiro me conservar para alguém que vai me querer toda a minha vida”.

Por: Martha Morales
www.almas.com.mx

domingo, 6 de junho de 2010

O valor de um abraço

Sempre e de alguma forma, no reino animal, os filhotes, ao nascerem, são cercados de cuidados, de atenção e proteção. Os gatinhos, cachorrinhos, leõezinhos, entre outros, recebem várias lambidas de suas mães, e estas os aconchegam junto de si aquecendo-os. As aves colocam seus filhotes embaixo de suas asas; outras mães entregam os seus filhos aos cuidados dos pais e partem em busca de alimento para o sustento deles [filhotes]. Conforme esses animais vão se desenvolvendo estes cuidados vão diminuindo, até que os filhotes se tornem capazes de lutar pela própria sobrevivência; no entanto, alguns continuam vivendo junto de seu bando.

Um pouco diferente dos nossos amigos animais, parece-nos que as pessoas necessitam constantemente deste calor humano. Diversas pesquisas revelam que o contato físico, o toque, o olhar e a proteção, transmitidos por gestos concretos, favorecem o desenvolvimento físico, psíquico e espiritual do ser humano.

Spitz, em suas pesquisas com bebês institucionalizados, com ou sem a presença de suas mães, chega à conclusão de que aqueles que não são trazidos ao colo para ser amamentados e que são deixados por longo período sozinhos em seus berços desenvolvem o que ele chama de "marasmo", um estado de letargia, de não expressão e podem até chegar a óbito precoce, sem causa específica.

Winnicott, ao estudar crianças abandonadas, órfãs da Segunda Guerra Mundial, observa que o nível de delinquência e agressividade é altíssimo entre elas. Entretanto, pesquisas atuais revelam que crianças em condições semelhantes às estudadas pelo psicanalista [Winnicott], mas que receberam auxílio por intermédio de pessoas que as acolheram, dispensando-lhes cuidados físicos e emocionais, desenvolveram habilidades sociais, perspectivas de um futuro construtivo e força para enfrentar as adversidades oferecidas pela vida, de forma a se tornarem pessoas mais humanas e altruístas.

A pesquisadora americana Tiffany Field demonstra, a partir de suas pesquisas, que o toque, o contato físico, além de aliviar o estresse e a ansiedade, também diminui a criminalidade. A privação do contato físico causa diversos distúrbios emocionais e de sono, abuso de álcool e drogas. A falta de sono leva à irritabilidade, a qual afeta o sistema imunológico e favorece o aparecimento de diversas doenças, entre elas: diarréias, prisão de ventre e infecções respiratórias.

A partir desses fatos basta nos perguntarmos: como estou me relacionando com as pessoas, principalmente com as mais próximas? Eu já abracei alguém hoje? Liguei para alguém a fim de saber como ele está?

Se não, não perca tempo, abrace, beije, brinque, acaricie, sorria … Você não se arrependerá e viverá mais, feliz e saudável.

Mara S. Martins Lourenço

terça-feira, 21 de julho de 2009

Um amigo pode nos transformar

Jesus nos ensina que todos nós precisamos ter amigos diante dos quais possamos chorar e abrir o coração. Amigos que nos acolham e nos amem do jeito que somos. Amigos que não nos julguem a partir de um momento, mesmo que seja um momento dolorido.

Feliz de quem tem um amigo diante do qual pode se mostrar pelo avesso. Feliz de quem tem um amigo diante do qual pode mostrar o seu pior… e o seu melhor também!

Amigo não é apenas um conhecido, colega, companheiro… Observemos a ênfase que a Palavra de Deus dá a ele: “Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro” (Eclesiástico 6,14b).

Um amigo pode nos transformar. E por que nos transforma? Porque, antes de tudo, ele nos ama como somos. O amigo consegue nos corrigir e, muitas vezes, só ele é capaz de fazer isso. Ele, e só ele, tem linha direta com o nosso coração. Ele chega lá naquele lugar aonde ninguém consegue chegar.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Quando começa uma amizade?

Talvez essa seja a grande pergunta que incomoda tanto aqueles que têm amigos quanto aqueles que querem vir a ter um. Os que os têm querem entender de que forma alguém ganhou tanto espaço em sua vida; os que não os têm, querem saber como um amigo pode surgir em sua vida.
Por experiência própria, posso afirmar que amigo nunca é alguém que você escolhe. Amizade é dom, vem de Deus e por isso mesmo, muitas vezes, se manifesta em nossas vidas de maneira surpreendente. Quando você vê, pronto: ganhou um amigo!
Todo o processo de amizade é um processo de separação, de sacralização. Uma mesa qualquer é uma mesa qualquer. Mas uma mesa separada para a celebração da Santa Missa, não é uma mesa qualquer, mas um altar. Ela foi separada para o sagrado. Da mesma forma, um amigo é alguém que era comum, apenas um irmão, mas foi separado para o que há de mais especial em nosso interior. Ele saiu do comum e foi colocado no santuário do nosso coração. Nele nós depositamos o que há de mais sagrado do nosso ser, sem medo de que seja usado contra nós ou que não seja dado o devido valor. Uma amizade é sagrada por trazer em si o que há de mais santo no coração de duas pessoas. Ela comporta o intocável, aquilo que não se consegue dizer, mas apenas viver e sentir.
É bonito perceber que quando alguém vai sendo formado por Deus, para ser seu amigo, as coisas que dizem respeito a essa pessoa ganham peso e têm importância na sua vida. O que ela vive é importante e não passa despercebido. As alegrias dela são as suas alegrias; as tristezas dela são as suas tristezas. Não há mais como viver impassível ao que ela vive. Você vive na sua alma aquilo que o outro vive na carne.
Amizade é um processo que pode ser construído com anos ou com minutos. O tempo não importa quando falamos de amigos. Amizade não conhece tempo, porque é dom, é graça de Deus. Ela vive em um período de graça que você não sabe quando começou nem quando vai acabar. Vive em um tempo que não tem tempo. Quando você percebe, aquele que até então era só mais um, traz agora uma visão sua que você mesmo não conseguia ver. Ele entrou, faz parte e não há como dividir, como separar. Como dizia Santo Agostinho: “Um amigo é metade da alma”.
Quando começa uma amizade? Quando eu paro de buscá-la por mim mesmo e deixo Deus me surpreender com o que Ele tem de melhor. Ele vem e não me deixa caminhar sozinho. Ele me dá um companheiro de viagem, alguém que possa olhar e entender tudo o que se passa comigo, sem que eu necessite lhe dizer uma só palavra. Como Amigo, Deus me dá um amigo.
Seu amigo,
Renan Félix

terça-feira, 2 de junho de 2009

Amigo é aquele que não desiste de estar junto

Há várias definições de amizade. Cientificamente falando, para a biologia, sentimentos são reações químicas dentro do nosso corpo e a amizade é a sensação de bem-estar que a pessoa pode nos causar devido às substâncias responsáveis pelo prazer, o qual é liberado por nosso organismo ao sentir sua presença.
Para a psicologia, a amizade pode acontecer devido a três fatores determinantes em nós: os afetos, a afinidade e o inconsciente. Afetos, a necessidade de amar e ser amado, busca de preenchimento. A afinidade: quando gostamos de coisas em comuns, semelhanças. E o inconsciente: nossa mente com tudo o que lá está guardado; o inconsciente não sabe o que é real, não é a lembrança, mas o que está oculto. Um exemplo de inconsciente é o que nós gravamos quando ainda estamos no útero materno, em gestação, nessa fase nosso cérebro já é capaz de gravar as
emoções que sentimos e também as sensações da mãe.
Só por esses argumentos é justo afirmar que o amigo tem força para influenciar em nosso humor, no nosso dia. Também no ânimo e na maneira de ver a vida e interferir nas nossas decisões.
Para o filósofo Aristóteles: “Amigo é uma única alma habitando dois corpos. E embora entrando no universo um do outro não podem perder sua individualidade”.
Amigos se unem nas alegrias e nos sofrimentos, revelando a beleza que há em cada um. Respeita características e não tenta fabricar no outro um modelo da vontade própria. No sentido bíblico temos várias definições para eles [amigos], mas uma é bem marcante: “Se queres adquirir um amigo, adquire-o na provação” (Eclesiástico 6, 7), pois, na adversidade, as verdadeiras intenções de coração são reveladas. Mostra-se amigo aquele que conhece as misérias e as fraquezas do outro e ainda assim continua demonstrando amor por ele.
Amigo é aquele que não desiste de estar junto, qualquer que for a situação. Não se ensoberbece mediante a sua força maior e a fraqueza alheia.
São tantos conceitos sobre esse tema, e em todos, encontramos belos exemplos! O importante é aprofundar-se no conhecimento e no sentido que cada definição pode nos trazer e refletir sobre como estão nossas amizades. Penso que todas as explicações nos mostrarão que o poder da amizade está exatamente na força da entrega. Como estou me entregando aos meus amigos e como eles estão se entregando a mim?
“Amigo é um tesouro”, porque há preciosidades no seu interior, ainda que algumas não venham com embalagens dignas de objetos valiosos, compete a quem é agraciado com o presente, revelar o valor da pérola que está escondida. Quer conhecer uma pessoa? Entregue de si a ela. O que ela fará com as pérolas recebidas é o que lhe mostrará um verdadeiro amigo. Quando expomos nossas vergonhas, nossas deficiências a alguém, estamos entregando força de influência sobre nós. E isso tem que ser processo, não pode acontecer da noite para o dia, mas a cada vez dando uma pérola maior e mais valiosa àquele que se mostra digno de confiança.
A busca do ser humano por felicidade passa pelo amigo. Dar-se numa amizade e ser companheiro vale a pena, ainda que no passado tenha havido decepções. "Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles" (Mt 7,12).
Deus se faz e nos fala em quem nos ama e está próximo, porque também é nosso Amigo!
Sandro Ap. Arquejada