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segunda-feira, 6 de junho de 2011

A importância da família – Os papéis de pai e mãe

O ser humano é dentre o reino animal, a criatura que nasce mais frágil, aquela que precisa de maior cuidado. A maioria dos filhotes nascem e algumas horas depois já andam, ou em tempo muito menor que o gênero humano, podem desepegar-se da mãe e cuidar de si mesmos.

Talvez por sermos na natureza os que desenvolvem maior inteligência, dependemos um maior tempo dos genitores. Quando nascemos, temos ainda, muito o que aprender sobre a vida.

E estas lições nos são passadas de forma distinta entre o pai – ser masculino, e a mãe – ser feminino. A visão de mundo de cada um é diferente, contudo toda criança, independente do sexo, precisará da presença do pai e da mãe.

Um artigo já trabalhado por mim em outro post, do Frei Raniero Cantalamessa – pregador oficial da Casa Pontificia – vai abordar como o amor do Senhor se manifesta através das diferentes formas de amor, contidas em nossos pais.

“Deus se expressa como amor paterno e materno.

O amor paterno é feito de estímulo e solicitude; o pai quer o filho crescido e levado à plena maturidade.

Já o amor materno é feito de acolhida e de ternura; é um amor visceral; parte das profundas fibras do ser da mãe, onde a criatura se formou, e ali enraíza toda a sua pessoa, fazendo-a ‘estremecer de compaixão’”, justifica Cantalamessa.”.


Primeiramente , isso vem demonstrar os diferentes papéis desempenhados instintivamente pelo homem e pela mulher numa família e como cada um imprime traços diferentes no desenvolvimento e constituição da criança e do adolescente.

A ciência tem pesquisado e cada vez mais compreendido que, desde o tempo das cavernas, a mente, a visão de mundo, os sentimentos e reações ao ambiente, entre homens e mulheres, vem sendo desenvolvidas diferentemente. Porém, é essa forma individual de analisar e agir, que cada um dos sexos transmitirá ao filho(a).

O amor de pai é feito de solicitude e estímulo. O ser paterno quer ensinar as coisas ao filho(a), demonstrar como se faz, por vezes, desafia o rebento a um novo em sua vida.

Lá nos inícios, Deus disse ao homem: “Comerás o pão com o suor do teu rosto” (Gn 3, 19). Ou seja, deu ao ser masculino a vocação de prover o sustento, de trabalhar a natureza, modificá-la, empreender, ir em frente até alcançar a excelência – maturidade e plenitude dos meios. Então, se é dessa maneira que o homem entende a vida para si, isso será o conteúdo que ele terá a aprensentar a sua prole.

Geralmente é o pai quem ensina a criança a andar de bicicleta (segura para não cair, mas solta quando vê que o filho(a) já aprendeu, ainda que o(a) pequeno(a) não confie em si, mas ao ver que já pedalou sozinho alguns metros, aprende a confiar que seu pai o lançou na vida para seu próprio bem. A criança experencia o prazer de ser desafiado pelas ocasiões da existência e alcançar suas metas). Também é o pai que, na maioria da vezes, brinca pedindo que o filho pule de alguma altura para o segurar no colo. Dificilmente veremos uma mãe brincando assim!

Isso tudo vai registrando na cabecinha da criança; “Você é capaz”, “Eu acredito em você”, “Existe alguém junto com você, alguém que te olha, mesmo quando você se sente sozinho no desafio”.

Na adolescência também, geralmente é o ser masculino quem ensina um ofício. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com seu pai José. Foi observando seu pai que Ele teve contato com as primeiras noções de como buscar o sustento, de como as coisas funcionam, a dinâmica da natureza, dos processos naturais, pois daí se extrai a providência. Posteriormente, na sua vida pública, Jesus usou em seus discursos o comparativo do Reino de Deus com fatores da agricultura da cidade de Nazaré, foi buscar nos trabalhos propriamente masculinos na cultura local e da época, exemplos para Sua mensagem de Boa Nova. (cf. Mt 6, 26; Mc 4, 32; Lc 8, 5; Lc 13,19).

A mãe por sua vez, traz a caracteristica do amor visceral, feito de acolhida e ternura, tudo é compaixão. Por vezes é um amor que quer reter para si a criatura de suas entranhas. A sensação de geração e proteção, o vínculo físico, com aquele que lhe veio de dentro do organismo, de alguma forma continua ao longo da vida.

À mulher Deus disse: “Entre dores darás à luz os filhos. Teus desejos te arrastarão para teu marido” (Gn 3, 16). O senso feminino de amor, deseja trazer para perto, para junto, quer unir toda família em torno dela. Lhe custa dores, sacrifícios interiores, daí então o zelo em manter e principalmente proteger.

Quando um filho(a) se machuca, para quem ele corre? Geralmente para a mãe. Quando sofremos e precisamos de um acalento, de colo, de mão na cabeça, palavras de carinho, para quem nos dirigimos? Geralmente para o colo de mãe. Desde pequenos, se algo acontece e sabemos que estamos errados ou mesmo quando estamos inocentes no acontecido, havendo o receio de que não vão nos entender, preferimos dizer primeiro para a mãe, contando que ela dará um jeito de aplacar a reação do pai ou dos demais.

Nisso, vai significando ao filho(a) que; “Você pode contar com minha acolhida”, “Existe um lugar que você pode admitir suas fraquezas, seus fracassos e até mesmo seus erros, que encontrará colo, carinho e compreensão”, “Não tenha medo, eu estou aqui”.

Jesus também usou em Suas falas, exemplos para o Reino dos Céus que eram típicos dos trabalhos femininos na cultura local de Nazaré: (cf. Lc 15, 8; Mt 13, 33), demonstrando que além do exemplo de seu Pai José, Ele aprendeu também muitas coisas com Sua mãe Maria. Estava junto com ela, observando-a e absorvendo o conhecimento que Lhe serviu para a vida.

Além das pessoas adultas trazerem consigo as impressões registradas pelos seus pais desde a infância, esta será a base que eles terão também para formar sua própria família futuramente. Da forma como vemos, ouvimos e sentimos nossos pais, muito provavelmente faremos com nossos filhos. Os homens aprendem a serem pais com seus respectivos pais. As mulheres a serem mães com suas respectivas mães.

A psicóloga Solange Rosset publicou um artigo em que vem confirmar a importância nos diversos papéis entre homem e mulher na vida familiar no artigo: “Casal que define bem os papéis na relação cria filhos mais equilibrados” e ainda vai além, relatando possíveis consequências negativas quando este equilibrio não acontece. “Quando as fronteiras dentro do casal não são bem definidas, é possível que um filho venha a desempenhar uma função que não deveria ser sua, mas do pai ou da mãe. Isso perturba o desenvolvimento da criança”. ( Revista Caras, edição 916, ano 18, nº 21 – 27/05/2011, cf. http://www.caras.com.br/edicoes/916/textos/casal-que-define-bem-os-papeis-na-relacao-cria-filhos-mais-equilibrados/)

Quando vão crescendo, os filhos podem tomar as dores e preencher lacunas, desempenhar papéis que seriam próprios do pai ou da mãe. Isso, além de atrapalhar o desenvolvimento da criança e do adolescente, por falta de exemplo e de referência, ainda dificulta a estruturação do lar, já que lança os rebentos em tarefas em que não estão ainda preparados e maduros.

Se numa casa o masculino oprime o feminino, assim entenderão as crianças, e é quase certo que assim serão os meninos desse lar no futuro. As meninas propensas a serem somente eternas serviçais dos seus futuros maridos, conformando-se, mas infelizes. Ou então, irão se rebelar e lutar com todas as forças contra esse tipo de tratamento, porém da forma errada, já que estavam, desde cedo, lutando pelo papel que é da mãe e não seu próprio. Faltará a referência feminina da mãe que foi anulada.

Se um pai não gosta de trabalhar, adultera ou cultiva vicios, ou o filho lhe seguirá o exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra seu pai.

É importante lembrar que tanto o menino quanto a menina precisam do amor de ambos – do pai e da mãe.

O menino, por mais que se identifique com a mãe, buscará espelhar-se no pai. É a referência masculina, em que ele aprenderá a ser homem.

A menina, por mais que se identifique com o pai ou não, buscará espelhar-se na mãe. É a referência feminina, em que ela aprenderá a ser mulher.

O pai, por sua vez, é quem dará a noção do mundo, do externo.

A mãe, dará a noção de interioridade, de sentimentos, da casa interior do coração.

Se não há essa devida equação nos tornamos homens e mulheres inacabados. Seres em que falta desenvolver alguma parte de si. Nascemos com o dom, a vocação, a capacidade e a força para ser, mas a ausência de indicadores na vida não nos permitem avançarmos e chegarmos à plenitude.

As mensagens que os pequenos gestos registrados pelo pai e pela mãe na infância e adolescência e que ficam em nossa mente, serão excenciais quando não os tivermos por perto. Continuaram ecoando e produzindo efeito no animo da pessoa. (“Você é capaz”, “Eu acredito em você”, “Existe alguém junto com você, alguém que te olha, mesmo quando você se sente sozinho no desafio” – “Você pode contar com minha acolhida”, “Existe um lugar que você pode admitir suas fraquezas, seus fracassos e até mesmo seus erros, que encontrará colo, carinho e compreensão”, “Não tenha medo, eu estou aqui”)

Muitos dos sofrimentos, dos medos, as paralisias diante do novo, o sentimento de estar sozinho que trazemos em nossa vida, podem estar relacionados com a impressão de ausência daquilo que nos faltou em nossos primeiros anos.

Não aprendemos ser lançados nos desafios que a vida impôs, pois, ninguém fez isso conosco, não nos foi ensinado um trabalho, não aprendemos com a natureza os processos de demora e alcance de maturidade. Talvez não tenhamos tido um colo para chorar e hoje não nos sentimos no direito de mostrar fraquezas, sermos nós mesmos verdadeiramente, talvez não confiamos nas pessoas, porque nunca alguém se mostrou interessado nas machucaduras que trazemos e tivemos que sofrer a dor mesmo sem remédio.

Quando percebemos os desacordos e descaso entre nossos pais, tentamos arrumar o que era imperfeito, mas isso só trouxe a sensação de nossa impotência, pois continua do mesmo jeito. Quem sabe até nos causando aversão ao casamento ou a certas obrigações que ele traz. Também podemos ter feitos votos intimos, compromissos interiores que atingiram nosso inconsciente e que podem atrapalhar nossa história futura com alguém totalmente diferente do mal exemplo que tivemos.

E como reparar tudo isso?

Tomando consciência dos papéis distintos entre o homem e a mulher num lar, já podemos mergulhar em nossa história de vida e analisar se algo nos faltou. Rastrear os reconditos mais escondidos do nosso ser e enxergar se os sofrimentos do presente podem ter a raiz na infância ou adolescência por uma falha da referência do amor de pai ou de mãe.

Também com essa clareza, direcionar o futuro. Qual o meu papel? Como quero ser, como estou sendo?

E depois, também pela ciência – conhecimento do hoje – juntamente com a força do Espírito Santo, acreditar que é possível dar o que não recebemos de nenhuma criatura humana, ensinar o que não aprendemos de ninguém. Pois, o espírito Santo pode nos nutrir e fazer novas todas as coisas.

“Oh! Todos que estais com sede, vinde buscar água! Quem não tem dinheiro, venha também! Comprar para comer, vinde, comprar sem dinheiro vinho e mel, sem pagar!” (Is 55, 1)

Este versículo trata na verdade, não do alimento, no sentido literal, mas de que Deus quer subsidiar a alma daqueles que não tem mérito, dos que não aprenderam, aqueles que nunca receberam tudo o que viria a ser suas necessidades.

Somente uma experiência de amor com Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo é que pode colocar algo bom onde ficou uma lacuna, um espaço vazio. Não há mal que Ele não possa vir a reparar.

Mesmo sem recursos chegue perto de Jesus e Ele que é o Amor, Ele que te amou desde sempre, lhe ensinará a amar seus filhos, seu pai e sua mãe, da forma como eles também precisam e talvez nunca foram amados e nunca aprenderam.

Recomendo aqui um outro artigo: “Conseguirei dar o amor que nunca recebi?” (http://blog.cancaonova.com/sandro/2011/05/11/conseguirei-dar-o-amor-que-nunca-recebi/)

Volte para sua família. Olhe para seu pai ou sua mãe com misericórdia. Na maioria das vezes, eles também foram mais vitimas do que culpados, pois também lhes foi negado uma face do amor paterno ou materno.

Mesmo que eles já não estejam em nosso meio, entre em seu coração e lembre das coisas boas que eles lhe fizeram, do cuidado, à forma deles, mais ainda assim cuidado. Entregue tudo diante de Jesus Eucaristico.

E levante-se para o novo, que agora tendo tomado consciência, você, agindo com a graça de Deus, pode fazer com que o mal sofrido, qualquer tendência a vício ou maldição, sejam interrompidos em você, em sua geração.

Onde houver o desejo de acertar já há amor. E é isso que sua família precisa.

Deus abençoe você e os seus!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Trate criança como criança

Dias atrás, perto de mim estava uma mãe falando brava com sua filha, porque a pequena não estava sentando direito, já que estava com uma mini saia.

Fiquei imaginando o que se passava na cabeça daquela criança, que aparentava uns cinco ou seis anos. Será que ela compreendia a chamada de atenção que estava levando de sua mãe?

Na concepção da criança não existe malícia. Então tanto faz a forma de sentar.

A responsável por ela é que não devia vestir a menina com aquela roupa e exigir um comportamento de moça feita.

Muitas vezes, nós adultos agimos assim. Queremos que as crianças pensem e façam conforme nosso mundo, nosso entendimento.

É comum testemunharmos pais que ficam deslumbrados com a precocidade de seus filhos, desconfiam e comunicam, para todo o mundo, que prevêem que seus pequenos são superdotados.

Acabam por exigir demais dos filhos.

Com as opções e facilidades de hoje, é normal que as crianças tenham uma destreza com os meios, mas isso não quer dizer que são gênios.

Criança é curiosa por natureza e quer aprender, mas é preciso ter em mente que eles aprendem melhor quando nós entramos no mundo deles, e não eles no mundo adulto. De tanto eles serem tratados como adultos, até parecem precoces, nas palavras, nas habilidades, no raciocínio, mas não passam de crianças que não estão recebendo os ensinamentos de vida de forma incorreta. Porque pedimos que eles se portem como é pedido aos maiores.

Por exemplo, como exigir do filho de três ou quatro anos que fique calado e imóvel num ambiente que pede silencio? Essa concepção ainda não cabe na cabecinha dele. Talvez os pais tenham que se revezar num compromisso desse tipo. Quando ele tiver uns aninhos a mais, poderá compreender melhor o que lhe estamos dizendo.

Crianças são como folhas em branco, eles aceitam correção, disciplina e costumes de seus pais, basta que tudo lhes seja ministrado com amor e carinho.

Brincar com eles e inserir um ensinamento é uma ótima forma de fazer com que se interessem e levem uma regra para toda a vida.

Outra disposição que eles trazem naturalmente é a de sempre acatar e respeitar o que fala um adulto.

Basta que entremos no mundo deles.

Deus abençoe!

Sandro Arquejada

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ser pessoa é muito complicado

O mundo de hoje é complexo. O emaranhado de informações a que temos acesso nos comunica, mas não nos formam. Temos sistemas cada vez mais sofisticados, burocracia para tudo, muitos meios carregados com dados de toda natureza, corretos e até incorretos. E tudo isso para chegar onde mesmo?

Acabamos ficando exigentes, intransigentes, complexos e, às vezes, mal educados.

O homem mais incrível que habitou a face da terra nos disse: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” (cf. Mt 10, 16). Até procuramos exercitar a prudência, o que muitas vezes nos remete a cercarmos de processos a nossa volta, tornando tudo muito difícil. Jesus, pelo contrário era capaz de decifrar os códigos mais ininteligíveis do ser humano e devolver em forma desmistificada.

Exorcizou demônios com práticas modestas: “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (cf. Mt 17, 20). Mostrou como alcançar os favores do inalcançável Pai Altíssimo: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto” (cf. Mt 7, 7); Mostrou como orar: “Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras”; “Pai Nosso” (cf. Mt 6, 9); falava em parábolas quando os homens não entendiam (cf. Mt 13, 36; Lc 15, 12), ou comparava a realidade rural com os mistérios do Reino dos Céus para os homens simples entenderem (cf. Mt 13, 32).

E Ele quis ensinar o homem a ter uma essência simples. Olhar o outro lado da trama e verificar o que realmente importa.

Geralmente o cerne do problema está envolvido por um novelo de situações que lhe conferem um maior corpo, configurando o que é simples em uma enorme dificuldade.

Complicamos as coisas, principalmente quando queremos que nossas ações tenham resultado. E quanto maior o esforço e o tempo, mais nos perdemos em expectativas. E isso é só um exemplo do que agiganta e encorpa nossas agruras. Queremos falar e imediatamente sermos ouvidos, plantar e colher, transmitir e receber. O estado da impotência é humilhante, tanto quando fazemos pelos outros, quanto ao nos vermos incapazes diante de nós mesmos. O orgulho da obrigação de ter que fazer dar certo é o que nos torna intolerantes.

Um coração refinado não impõe sua verdade. Antes, aguarda o momento em que a força do seu amor, encontre a abertura necessária no coração do outro ou ache portas entreabertas nas situações da vida. Permite-se estar na impotência, não como atitude de passividade, mas contemplando e entendendo melhor qual o centro da complexidade. Jesus esperou a conversão de Maria de Bethânia, mesmo após a ressurreição de seu irmão Lázaro. Nem este gesto a convenceu naquela hora. (cf. Jo 12, 1-10)

Descomplica-se quem não acredita somente na sua iniciativa. Ser simples é acreditar no poder do Alto. Com a inocência e simplicidade de uma criança, saber que existe um Pai que, em todo momento cuida de nós “todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará” (cf. Mt 10, 15).

É Ele quem tudo realizará. Somos meros semeadores, tudo o que devemos fazer é plantar as sementes, gastar nossos talentos. Os corações são terrenos. E quem se encarrega de fazer germinar é o Senhor. Somente ame!

Se a nossa essência for de amor, tudo ficará mais simples.

Deus os abençoe!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dizer não é também amar

Amar não é e nunca será tarefa fácil, exige de nós empenho e decisão. O amor sincero comporta o sofrimento e a doação em favor do outro. Pelo bem do outro, inúmeras vezes, enfrentamos dificuldades que nos causam dor e pesar.

Existem situações nas quais temos de desagradar a quem amamos em virtude de seu próprio bem. Tais decisões são difíceis e doem mais em nós do que naqueles que são objetos de nossa repreensão. Porém, é importante salientar que corresponder sempre e irrefletidamente aos desejos de quem se ama pode se tornar algo negativo, que tende a deformar e não formar. Dentro dessa perspectiva, afirmo que: “Dizer ‘não’ também é uma forma de amar”.

Limites são necessários para qualquer ser humano, pois, por meio deles, alcançamos equilíbrio e maturidade. Pais que não impõem limites aos filhos acabam criando pequenos reis e rainhas e, conseqüentemente, tornando-se seus súditos.

Somente quem já recebeu um “não” na vida consegue compreender a especificidade da palavra humildade. Somente aqueles que não foram correspondidos no que queriam, em algum momento de sua história, sabem compreender que sua vontade não é absoluta e que nem sempre estão certos.

É no “não” e no “sim”, no equilíbrio das possibilidades, que se forma uma pessoa, é assim que o orgulho se ausenta e o ser humano consegue entender que os outros também são bons.

Nem tudo o que queremos é o melhor para nós, porém, nem sempre conseguimos enxergar assim. É aí que descobrimos quem nos ama, pois os que sinceramente se interessam por nós não têm medo de nos dizer a verdade e de nos corrigir quando necessário.

Não é fácil corrigir e dizer 'não'; seria mais fácil e conveniente dizer sempre 'sim' e estar sempre sorrindo, pois quem diz 'não' se expõe e, muitas vezes, atrai sobre si a ira do outro. Quem corrige, mesmo querendo o bem do outro, corre o risco de ser mal interpretado, contudo, demonstra um grande amor e cuidado com o outro.

Só quem nos ama nos diz 'não'. Só quem se interessa por nós tem a sensibilidade de cuidar de nós, através da poda.

Precisamos ter sensibilidade para detectar e aceitar o amor que se manifesta em uma multiplicidade de formas e que nos encontra também naquilo que tanto nos desagrada.

Se enxergarmos assim, sentiremo-nos mais amados e cuidados, evitaremos muitas contrariedades, além de descobrirmos belezas antes não contempladas. Faça essa experiência!

Adriano Zandoná

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O papel da mãe na criação dos filhos

Educar os filhos é a grande missão que Deus confiou aos pais. É por causa da importância dessa tarefa, que nos deu o quarto Mandamento: “honrar pai e mãe”. Sem a educação dos pais os filhos se perdem; é por isso que as nossas cadeias estão cheias de jovens e a droga consome a muitos, além do mundo do crime.

Nada é tão grande neste mundo como construir um ser humano. As máquinas acabarão um dia, mas o nosso filho jamais.

É pela educação que o ser humano conquista e desenvolve as suas faculdades; e Deus quis que isto fosse feito antes de tudo pelos pais, e de modo especial pela mãe. Hoje sobretudo, onde muitas mães são obrigadas a criar sozinhas os seus filhos, porque são “órfãos de pais vivos”, essa missão se torna mais importante e árdua ainda. Neste caso o papel da mãe triplica de importância, porque ela tem que fazer o papel do pai e dela mesma.

Ghandi dizia que “a verdadeira educação consiste em pôr a descoberto o melhor de uma pessoa.” Para isto é preciso a arte de educar, a mais difícil e mais bela de todas.

Certa vez Michelangelo viu um bloco de pedra e disse a seus alunos: “aí dentro há um anjo, vou colocá-lo para fora!” Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, fez o belo trabalho. Então os alunos lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. Ele respondeu: “o anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando”. Educar é isto, é ir com paciência e perícia tirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes, até que o “anjo” apareça.

Michel Quoist dizia “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus.”

Educar é colaborar com Deus, e é na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais.

Educar é promover o crescimento e o amadurecimento da pessoa humana em todas as suas dimensões: material, intelectual, moral e religiosa. Por isso, educação não se recebe só na escola, mas principalmente em casa. Às vezes se ouve dizer: “ele é analfabeto, mas é muito educado”. Não adianta ser doutor e não saber tratar os outros como gente; não saber cumprir com a palavra dada; não se comportar bem; trair a esposa e os filhos; não ser gentil; não ser afável, etc. Sem dúvida, a educação é a melhor herança que os pais devem deixar aos filhos; esta ninguém pode lhes roubar nem destruir.

O livro do Eclesiástico diz aos pais: “Aquele que ama o seu filho, corrige-o com freqüência, para que se alegre com isso mais tarde…” (Eclo 30,1).

A educação visa sobretudo colocar o homem no caminho do bem e da virtude, do qual ele sempre tende a se desviar. É aos pais que cabe sobretudo dar início a esta tarefa na vida dos filhos. A Igreja nos ensina que :

“Pela graça do Sacramento do matrimônio os pais receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os seus filhos. Por isso os iniciarão desde a tenra idade nos mistérios da fé, da qual são para os filhos os “primeiros arautos” (LG,11). Associá-los-ão desde a primeira infância à vida da Igreja. (CIC, 2225)

A tarefa de educar, como dizia D. Bosco, “é obra do coração”, é obra do amor, por isso tem muito a ver com a mãe. Sem o carinho e a atenção da mãe a criança certamente crescerá carente de afeto e desorientada para a vida.

O povo diz que atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher, mas é preciso não esquecer que “esta mulher” mais do que a esposa, é a mãe.

É no colo da mãe que a criança precisa aprender o que é a fé, aprender a rezar e a amar a Deus e as pessoas.

É no colo da mãe que o homem de amanhã deve aprender o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração.

É no colo da mãe que a criança aprende a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde e simples e não desprezar ninguém.

É no colo da mãe que o filho aprende a caridade, a vida pura da castidade, o domínio de todas as paixões desordenadas e a rejeitar todos os vícios.

É a mãe, com seu jeito doce e suave, que vai retirando da sua plantinha que cresce a erva daninha da preguiça, da desobediência, da mal-criação, dos gestos e palavras inconvenientes. É ela que vai lhe ensinando a perdoar, a superar os momentos de raiva sem revidar, a não ter inveja dos outros que têm mais bens e dinheiro.

É a mãe que nas primeiras tarefas do lar lhe ensina o caminho redentor do trabalho e a responsabilidade.

Até o filho de Deus quis precisar de uma Mãe para cumprir a sua missão de salvar a humanidade; e Ele fez o seu primeiro milagre nas bodas de Caná exatamente porque ela lhe pediu. Por isso, cada mãe é um sinal de Maria, que ensina seu filho a viver de acordo com a vontade de Deus.

Neste mundo, às vezes perverso, que penetra sorrateiro em nossas casas, e insiste numa sistemática pregação de anti-valores por algumas tvs, mais do que nunca é necessário uma mãe atenta para combater tudo aquilo que prejudica a educação dos seus filhos.

Mais do que nunca ela precisa saber conquistar os seus filhos, não por aquilo que lhes dá, mas por aquilo que é para eles: amiga de todas as horas, consoladora. Saiba sempre corrigir o seu filho, mas que nunca seja com grosseria, com gritos ou com humilhações. E jamais na frente dos outros.

Se você conquistar o seu filho a ponto dele ter um sagrado orgulho de te-la como sua mãe, então, você poderá fazer dele o que desejar.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Você se aceita como é?

Cada um de nós é riquíssimo no seu ser. Fomos feitos à imagem de Deus; o que mais poderíamos desejar? O Todo-poderoso entrou dentro de Si mesmo para, lá, ir buscar o nosso molde.

Como, então, você pode ficar reclamando das qualidades que você não tem? Não seria isso ser ingrato com o Senhor?

Antes de lamentar e lamuriar o que você não tem, agradeça o que você já tem e tudo o que recebeu gratuitamente de Deus Pai. Olhe primeiro para as suas mãos perfeitas… e diga: "Muito obrigado, Senhor!" Pense nos seus olhos que enxergam longe; seus ouvidos que ouvem o cantar dos pássaros, e diga mais uma vez: "Obrigado, Senhor!" Da mesma forma, olhe para a beleza e o vigor da sua juventude e agradeça ao bom Pai, de quem procede toda dádiva boa.

A pior qualidade de um filho é a ingratidão diante do pai. Jesus ficou muito aborrecido quando curou dez leprosos (uma doença incurável na época!), mas só um (samaritano) voltou para agradecer. E este não era judeu, isto é, o único que não era considerado pertencente ao povo de Deus.

Você recebeu uma grande herança de Deus, que está dentro de você: sua inteligência, sua liberdade, vontade, capacidade de amar, sua memória, consciência, etc., enfim, seus talentos, que o Senhor espera que você os faça crescer para o seu bem e o dos outros. A primeira coisa a fazer, para que você possa multiplicar esses talentos, é aceitar-se como você é, física e espiritualmente.

Não fique apenas olhando para os seus problemas, numa espécie de introspecção mórbida, porque senão você acabará não vendo as suas qualidades; e isso o tornará escravo do seu complexo de inferioridade.

São Paulo disse que somos como que "vasos de barro", mas que trazemos um tesouro de Deus escondido aí dentro (cf. I Cor 4, 7).

Eu não estou dizendo que você deva se esconder dos seus problemas nem fazer de conta que eles não existem; não é isso. Reconheça-os e aceite-os; e, com fé em Deus, e confiança em você, lute para superá-los, sem ficar derrotado e lamuriando a própria sorte.

Saiba que é exatamente quando vencemos os nossos problemas e quando superamos os nossos limites, que crescemos como pessoas humanas.

Não tenha medo dos seus problemas, eles existem para serem resolvidos. Um amigo me dizia que todo problema tem solução; e que, quando um deles não a tem [solução], então, deixa de ser problema. “O que não tem remédio, remediado está”, diz o povo. Não adianta ficar chorando o leite derramado.

É na crise e na luta que o homem cresce. É só no fogo que o aço ganha têmpera. É sob as marteladas do ferreiro que a lâmina vira um espada. Por isso, é importante eliminar as suas atitudes negativas.

Deus tem um desígnio para você e para cada um de nós; uma bela missão a ser cumprida, e você pode estar certo de que Ele lhe deu os talentos necessários para cumpri-la.

Deus Pai quer que você seja um aliado d'Ele, um cooperador d'Ele, na obra da construção do mundo. O Senhor não nos entregou o mundo acabado, exatamente para poder nos dar a honra e a alegria de sermos Seus colaboradores nesta bela obra. Ele precisa de nossas mãos e de nossa inteligência, pois quer usar os nossos talentos. Por essa razão, o homem mais infeliz é aquele que se fecha em si mesmo e não usa os seus talentos para o bem dos outros. Este se torna deprimido.

Na "Parábola dos Talentos", Jesus mostrou que só foi pedido um talento a mais àquele que tinha ganhado um; mas que foi pedido dez novos talentos ao que tinha dado dez. Deus é coerente.

Você sabe que é “único” aos olhos d'Ele, irrepetível; logo, você recebeu talentos que só você tem; então, o Senhor espera que você desenvolva esta bela herança, sendo aquilo que você é.

É um ato de maturidade ter a humildade de reconhecer os seus limites e aceitá-los; isso não é ser menor ou menos importante; é ser real.

Aceite suas limitações, seus problemas, seu físico, sua família, sua cor, sua casa, também seus pais e seus irmãos, por mais difíceis que sejam… e comece a trabalhar com fé e paciência, para melhorar o que for possível.

Se você não começar por aceitar o seu físico, aquilo que você vê, também não aceitará os defeitos que você não vê. Você corre o risco de não gostar de você se não aceitar o seu corpo. Muitos se revoltam contra si mesmos e contra Deus por causa disso. Você só poderá gostar de você - amar a si mesmo - se aceitar-se como é física e espiritualmente. Caso contrário não será feliz.

É claro que é bom aprender as coisas boas com os outros, mas não podemos querer imitá-los em tudo. Você não pode ficar se comparando com outra pessoa, e quem sabe, ficar até deprimido porque não tem o mesmo sucesso dela. Cada um é um diante de Deus Pai. Também não se deixe levar pelo julgamento que as pessoas fazem de você. Saiba de uma coisa: você não será melhor porque as pessoas o elogiam, mas também não será pior porque elas o criticam. Como dizia São Francisco, “sou, o que sou diante de Deus.”

Certa vez, iam por uma estrada um velho, um menino e um burro.

O velho puxava o burro e o menino estava sobre o animal.

Ao passarem por uma cidade, ouviram alguém dizer:

“Que menino sem coração, deixa o velho ir a pé. Devia ir puxando o burro e colocar o velho sobre este!”

Imediatamente o menino desceu do burro e colocou o velho lá em cima, e continuaram a viagem.

Ao passar por outro lugar, escutaram alguém dizer:

“Que velho folgado, deixa o menino ir a pé, e vai sobre o burro!”

Então, eles pararam e começaram a pensar no que fazer:

O velho disse ao menino:

"Só nos resta uma alternativa: irmos a pé carregando o burro nos nossos braços!…"

Moral da história: é impossível agradar a todos!

Do livro – "Jovem, levanta-te!" – Editora Cléofas

terça-feira, 20 de julho de 2010

Filhos, uma bênção de Deus

"A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja veem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais" (Catecismo da Igreja Católica - CIC § 2373).

Certa vez o Papa Paulo VI disse a um grupo de casais:

"A dualidade de sexos foi querida por Deus, para que o homem e a mulher, juntos, fossem a imagem de Deus, e, como Ele, nascente da vida". Isto é, doando a vida o casal humano se torna semelhante a Deus Criador. Pode haver missão mais nobre e digna do que esta na face da terra? Alguém disse certa vez, com muita razão, que "a primeira vitória de um homem foi ter nascido".

Nada é tão grande e valioso neste mundo como o homem. Ensina a Igreja que "ele é a única criatura que Deus quis por si mesma" (GS, 24). Por isso o Catecismo da Igreja afirma que:

"Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais" (CIC § 2378).

Será que acreditamos, de fato, nessas palavras da Igreja? Ou será que "escapamos pela tangente", dando a "nossa" desculpa? Lamentavelmente se estabeleceu entre nós, também católicos, uma cultura "antinatalista". Por incrível que pareça "as preocupações da vida" (cf. Lc 12,22; Mt 6,19) sufocaram o valor imenso da vida humana, levando as gerações à triste mentalidade de "quanto menos filhos melhor". À luz do Cristianismo, essa é uma triste mentalidade, pois a Igreja sempre ensinou o valor incomensurável da vida.

"A tarefa fundamental da família é o serviço à vida. É realizar, através da história, a bênção originária do Criador, transmitindo a imagem divina pela geração de homem a homem. Fecundidade é o fruto e o sinal do amor conjugal, o testemunho vivo da plena doação recíproca dos esposos" (Familiaris Consortio, 28).

A situação social e cultural dos nossos tempos dificulta a compreensão dessa verdade. Nasceu, assim, uma mentalidade contra a vida ("anti-life mentality"), como emerge de muitas questões atuais: pense-se, por exemplo, num certo pânico derivado dos estudos dos ecólogos e dos futurólogos sobre a demografia, que exageram, às vezes, o perigo do incremento demográfico para a qualidade da vida...

"Mas a Igreja crê firmemente que a vida humana, mesmo se débil e com sofrimento, é sempre um esplêndido dom do Deus da bondade. Contra o pessimismo e o egoísmo que obscurecem o mundo, a Igreja está do lado da vida" (Familiaris Consórtio, 30).

Muitos têm medo de não educar bem os filhos. Pois eu lhes digo que, com Deus, é possível educá-los; basta que o casal se ame, crie um lar saudável e viva para os filhos com todas as suas forças e com toda dedicação. O resto, Deus e eles farão. Faça do seu filho um Homem… isto basta.

Há hoje uma mentira muito difundida - infelizmente aceita também por muitos católicos - afirmando que a limitação da natalidade é o remédio necessário e "indispensável" para sanar todos os males da humanidade. Não há civilização que possa se sustentar sobre uma falsa ética que destrói o ser humano ou que impede o "seu existir". É ilógico, desumano e contra a Lei de Deus, que, para salvar a humanidade seja necessário sacrificá-la em parte.

Jamais a mulher poderá se realizar mais em outra vocação do que na maternidade. É aí que ela coopera de maneira mais extraordinária com Deus na obra da criação. Vitor Hugo disse, certa vez, que "um lar sem filhos é como uma colmeia sem abelhas"; acaba ficando sem a doçura do mel.

Felipe Aquino

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O valor da hospitalidade

É muito importante a hospitalidade. Talvez seja um dos mais significativos gestos fraternos na vida, porque supõe acolhida e valorização das pessoas na sua individualidade. Ela cria relacionamento e convivência, provoca o diálogo e amadurecimento na vida comunitária.

Isso aconteceu na vida de Jesus quando visitou a casa de Marta e Maria, certamente irmãs de Lázaro a quem Ele bem conhecia. As duas irmãs O acolhem com carinho, tendo cada uma delas comportamento próprio. Jesus, como visitante, leva em conta as suas atitudes.

Marta, provavelmente a mais velha, age no cuidado da casa e em preparar o necessário para a boa acolhida e hospitalidade. Isso era o normal na vida das pessoas em suas residências. Era a correria para cumprir as tarefas nos momentos certos da casa. Maria, mais centrada talvez, fica sentada ao lado de Jesus e vai apreciando as Suas palavras. Ela teve uma atitude de escuta e de contemplação do que estava ouvindo do Mestre. Sabemos do valor e do sentido disso na vida.

É bom hospedar e cuidar bem das pessoas. Mas isso tem grande valor quando criamos diálogo, amizade, relacionamento e valorização das palavras. Por essa razão, o Senhor fez questão de valorizar a atitude de Maria e criticou a agitação de Marta.

A hospitalidade leva à comunhão quando valorizamos as nossas palavras. Com isso crescemos no conhecimento e na convivência fraterna, partilhando as alegrias e os sofrimentos, que fazem parte da vida de todas as pessoas.

O caso de Marta e Maria nos leva a retomar as nossas opções. Conclama-nos a viver em equilíbrio e com prazer cada instante da vida. A nossa atuação deve ser centrada no essencial, no mais necessário. O serviço ao próximo não pode ser dissociado da convivência fraterna.

Enfim, a hospitalidade está na dimensão da gratuidade, que é um desafio num mundo como o atual. O que vemos hoje é a predominância do medo, o isolamento, a privacidade, o individualismo, o excesso de trabalho e a falta de tempo. Assim perdemos a oportunidade do amor fraterno.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Família: uma escola de amor

Todos nós precisamos do amor puro uns dos outros. Precisamos do amor de nosso pai... e como é importante a presença, o carinho, a segurança, a firmeza, as correções, as ordens, e até mesmo as zangas e broncas do pai... Tudo isso é amor e é essencial para nosso crescimento, nosso equilíbrio, nossa maturidade e formação.

Nem preciso dizer o quanto precisamos do amor de mãe, da presença, do carinho, da correção, do perdão que só a mãe sabe dar. Todos nós precisamos do amor puro de nossos irmãos e irmãs, da convivência, das diferenças e até mesmo das dificuldades. Tudo isso faz parte de nosso crescimento e de nossa maturidade. Sem isso, ficamos afetivamente imaturos.

A família é o nosso hábitat, é o ambiente natural, criado por Deus, para aprendermos a dar e receber amor. É no ambiente caloroso de um lar, no aconchego de uma família, por mais simples e pobre que seja, que aprendemos a amar e ser amados. Deixe-se ser atingido por gestos de amor, de bondade, de carinho, de compreensão, de perdão...

Precisamos de amor puro do pai, de mãe, de irmão... Precisamos de amor puro de nossa família. Sim, a família é e precisa ser um “oásis de amor”. É urgente preservar esses oásis de amor que ainda existem. Como é bom ser família! Como é bom ter a presença de homens e mulheres, de adultos, de jovens e de crianças! Como é bom ter diferenças... Diferença de gênios, de temperamentos, de opiniões, de pontos de vista... Que bom conviver com o diferente! É na família que nos conhecemos, nos descobrimos, nos aproximamos, nos corrigimos, nos desentendemos e nos perdoamos... Na família, nem tudo é 100%, mas nela nos amamos, nos perdoamos, nos reconciliamos. E aí está o essencial: a família é um “oásis de amor!”

A pedagogia utilizada por Dom Bosco para educar a juventude de sua época continua a ser um milagre vivo. Há mais de 150 anos tem sido eficiente na educação de jovens e adultos por todo o mundo. Sua educação para a vida oferece a convivência no amor, um modo simples de amar e querer bem ao próximo. Todo processo educativo tem seu início no seio da família, por isso, o método de Dom Bosco pode ser usado integralmente pelos pais na arte de educar no dia a dia. É uma pedagogia que atrai, encanta, transforma, envolvendo pais, filhos, mestres e alunos em um ambiente de alegria. Apresento-lhe como proposta para a formação de seus filhos os 10 pontos básicos do método preventivo de Dom Bosco:

1) VALORIZE SEU FILHO.
2) ACREDITE EM SEU FILHO.
3) AME E RESPEITE SEU FILHO.
4) ELOGIE SEU FILHO SEMPRE QUE PUDER, E ELE MERECER.
5) COMPREENDA SEU FILHO.
6) ALEGRE-SE COM SEU FILHO.
7) APROXIME-SE DE SEU FILHO.
8) SEJA COERENTE COM SEU FILHO.
9) PREVENIR É MELHOR QUE CASTIGAR SEU FILHO.
10) REZE COM SEU FILHO.

Deus abençoe você!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

terça-feira, 22 de junho de 2010

A importância da família

O relato de São João sobre as Bodas de Caná (cap. 2,1-11) mostra claramente como Jesus valoriza a família. Foi o Seu primeiro milagre, abençoando com Sua presença os noivos, que pretendiam iniciar uma nova família. Ele quis iniciar o anúncio do Reino em um casamento, mostrando que a família é importante para Ele.

A família é a base, o esteio, o sustento de uma sociedade mais justa. Ao longo da história da humanidade, assistimos à destruição de nações grandiosas por causa da dissolução dos costumes, a qual foi motivada pela desvalorização da família.

No nosso mundo de hoje, depois que ficou liberado o divórcio indiscriminadamente, a família ficou ameaçada em sua estrutura e é por isso que vemos, através dos meios de comunicação e até na comunidade em que vivemos, cenas terríveis. Filhos drogados matam ou mandam matar os pais, pais matam filhos por motivos fúteis, mães se desfazem de seus bebês, quando não cometem o crime hediondo do aborto quando a criança não tem como se defender. Há problemas seriíssimos. Quando os pais se separam alguma coisa se parte no íntimo dos filhos. Eles não sabem se é melhor ficar com o pai ou com a mãe. No fundo, eles gostariam de ficar com os dois. Em paz e harmonia, é claro.

O amor está sendo retirado do coração dos homens e das mulheres. E, em consequência disso, a família está perdendo a sua unidade e a sua dignidade. Isso acarreta a dissolução dos costumes. A família decai e a sociedade decai. Precisamos compreender e nos lembrar sempre de que Deus nos deu uma família a fim de que, num âmbito menor, nós pudéssemos aprender a amar todos os nossos semelhantes.

O desenvolvimento tecnológico tem seus pontos benéficos. Facilitou a vida das pessoas. Mas facilitou de tal modo que a humanidade ficou mal-acostumada. Só quer o que é fácil. Não se interessa pelo que exige esforço, luta. No entanto, o que conquistamos com esforço tem um sabor muito melhor. Parece que nos esquecemos disso.

Na passagem das Bodas de Caná, Jesus transformou a água em vinho, em bom vinho. Ele poderia ter tirado o vinho do nada, mas Ele quis a participação humana. Por isso, mandou que enchessem as talhas de água. Hoje também o Senhor quer que nós enchamos a "talha de nossa vida", a nossa existência, de "água" que Ele transformará no melhor "vinho".

Que é que isso quer dizer? Quer dizer que precisamos colocar amor em nossa vida, em nossa família, para que Ele transforme esse amor humano em amor divino, o mesmo amor que une as pessoas da Santíssima Trindade e que é tão grande e tão repleto de felicidade, que extravasa, explode e quer ser espalhado entre nós. E é por meio dele que encontraremos a plenitude da felicidade.

Não é fácil cultivar o amor às vezes, é até difícil. Mas o difícil, quando conquistado tem um valor inestimável. Temos prova disso. Em uma competição esportiva, por exemplo, o vencedor fica mais satisfeito quando enfrenta adversários mais difíceis.

Viver em família, viver em união dentro da família não é fácil. Mas fácil não é sinônimo de bom. Talvez seja até o contrário.

A família precisa de amor para ser bem estruturada. A sociedade precisa das famílias para realizar a justiça e a paz porque a sociedade é uma família amplificada.

Falta o "vinho" para as nossas famílias. Esse "vinho" é o amor. É preciso que cada membro da família se esforce. Que os pais assumam verdadeiramente o seu papel. Apesar de ser bem árdua a tarefa dos genitores no mundo de hoje, não se pode desanimar. É necessária e urgente a ação paterna. O jovem é, por natureza, rebelde, quer ser independente. Desperta para o mundo e seus problemas e questiona tudo. Mas os pais precisam participar de sua vida, de uma maneira ou de outra, porque, mesmo errando algumas vezes, ainda assim, estes [os pais] têm capacidade de orientar e ajudar os filhos. Não podemos deixar tudo por conta dos companheiros, da escola, da sociedade ou de sua própria solidão.

Os pais devem fazer o acompanhamento dos filhos, procurar saber o que está acontecendo com eles, tentar ajudá-los de várias maneiras: com orientações, com atitudes exemplares, com o diálogo, com orações. Sempre. Tanto em casa, como na escola, na vida religiosa e social, nos namoros, entre outros.

Muitas vezes, os pais se sentem impotentes. Muitas vezes, achamos que já fizemos tudo e que nada conseguimos. Entretanto, esforçando-nos ao máximo, dando o melhor de nós por uma família mais feliz, estaremos enchendo de "água" a nossa "talha". E a Santíssima Virgem Maria já estará falando com o Filho: "Eles não têm vinho". E Jesus virá nos transformar, transformar a nossa "água" em "bom vinho", transformar a nossa dificuldade em vitória.

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Como evangelizar os meus filhos?

A Igreja ensina que os primeiros catequistas são os pais. É no colo deles que toda criança deve aprender a conhecer a Deus, aprender a rezar e dar os primeiros passos na fé; conhecer os Mandamentos e os Sacramentos.

Os pais são educadores naturais, e os filhos assimilam seus ensinamentos sem restrições. Será difícil levar alguém para Deus se isso não for feito, em primeiro lugar, pelos pais. É com o pai e a mãe que a criança tem de ouvir em primeiro lugar o nome de Jesus Cristo, Sua vida, Seus milagres, Seu amor por nós, Sua divindade, Sua doutrina... Eles são os responsáveis a dar-lhes o batismo, a primeira comunhão, a crisma e a catequese.

Quando fala aos pais sobre a educação dos filhos, São Paulo recomenda: “Pais, não exaspereis os vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor” (Ef 6, 4). Aqui está uma orientação muito segura para os pais. Sem a “doutrina do Senhor”, não será possível educar. Dom Bosco, grande “pai e mestre da juventude”, ensinava que não é possível educar sem a religião. Seu método seguro de educar estava na trilogia: amor - estudo - religião.

Nunca esqueci o terço que aprendi a rezar aos cinco anos de idade, no colo de minha mãe. Pobre filho que não tiver uma mãe que o ensine a rezar! Passei a vida toda estudando, cheguei ao doutorado e pós-doutorado em Física e nunca consegui esquecer a fé que herdei de meus pais; é a melhor herança que deles recebi. Não é verdade que a ciência e a fé são antagônicas; essa luta só existe no coração do cientista que não foi educado na fé, desde o berço.

Os pais não devem apenas mandar os seus filhos à igreja, mas, devem levá-los. É vendo o pai e a mãe se ajoelharem que um filho se torna religioso, mais do que ouvindo muitos sermões. A melhor maneira de educar, também na fé, é pelo exemplo. Se os pais rezam, os filhos aprendem a rezar; se os pais vivem conforme a lei de Deus, os filhos também vão viver assim, e isso se desdobra em outros exemplos. Os genitores precisam rezar com os filhos desde pequenos, cultivar em casa um lar católico, com imagens de santos em um oratório, o crucifixo nas paredes, etc.; tudo isso vai educando os filhos na fé. Alguém disse, um dia, que “quando Deus tem seu altar no coração da mãe, a casa toda se transforma em um templo.”

Um aspecto importante da educação religiosa de nossos filhos está ligado à escola. Infelizmente, hoje, se ensina muita coisa errada em termos de moral nas escolas; então, os pais precisam saber e fiscalizar o que os filhos aprendem ali. Infelizmente, hoje, o Governo está colocando até máquinas para distribuir “camisinhas” nesses locais. Os filhos precisam em casa receber uma orientação muito séria sobre a péssima “educação sexual” que hoje é dada em muitas escolas, a fim de que não aprendam uma moral anticristã.

Outro cuidado que os pais precisam ter é com a televisão; saber selecionar os programas que os filhos podem ver, sem violência, sem sexo, sem massificação de consumo, entre outros. Hoje temos boas emissoras religiosas. A televisão tem o seu lado bom e o seu lado mau. Cabe a nós saber usá-la. Uma criança pode ficar até cerca de 700 horas por ano na frente de um televisor ligado. Mais uma vez aqui, é a família que será a única guardiã da liberdade e da boa formação dessa criança. Os pais precisam saber criar programas alternativos para tirá-las da frente do televisor, oferecendo-lhes brinquedos, jogos, contando-lhes histórias, etc.. Da mesma forma, ocorre com a internet: os pais não podem descuidar dela.

Mas, para levar os filhos para Deus é preciso também saber conquistá-los. O que quer dizer isso? Dar a eles tudo o que querem, a roupa da moda, a camisa de marca, o tênis caro? Não! Você os conquista com aquilo que você é para o seu filho, não com aquilo que você dá a ele. Você o conquista dando-se a ele; dando o seu tempo, o seu carinho, a sua atenção, ajudando-o sempre que ele precisa de você. Saint-Exupéry disse no livro "O Pequeno Príncipe": “Foi o tempo que você gastou com sua rosa que a fez ser tão importante para você”.

Diante de um mundo tão adverso, que quer arrancar os filhos de nossas mãos, temos de conquistá-los por aquilo que “somos” para eles. É preciso que o filho tenha orgulho dos pais. Assim será fácil você levá-lo para Deus. Muitos filhos não seguem os pais até a igreja porque não foram conquistados por estes.

Conquistar o filho é respeitá-lo; é não o ofender com palavras pesadas e humilhantes quando você o corrige; é ser amigo dos seus amigos; é saber acolhê-los em sua casa; é fazer programas com ele, é ser amigo dele. Enfim, antes de dizer a seu filho “Jesus te ama”, diga-lhe: “eu te amo”.

Felipe Aquino

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Tomar decisões fundamentadas

Para que uma pessoa se relacione melhor com ela mesma, ela precisa compreender-se e aceitar-se. O melhor caminho para isso é ter um bom conhecimento do seu potencial, das suas capacidades e das suas limitações. No frontispício do Templo de Apolo, em Delphos, já estava escrito: “Conhece-te a ti mesmo”. Essa é a condição básica para qualquer pessoa assumir a sua identidade, aquilo que a singulariza, que a torna única. Quanto mais conhecimentos alguém tiver de si, maior será a sua capacidade de se posicionar corretamente frente aos desafios impostos pela vida.
Para se tornar autônoma e traçar seu próprio caminho no mundo, a pessoa necessitará de critérios consistentes para avaliar situações e tomar decisões diante delas. As boas decisões são aquelas que se fundamentam em nossas crenças, valores, pontos de vista e interesses. Como fazer isso, porém, sem se conhecer bem, sem saber onde está e aonde quer chegar? Informações e dados confiáveis são as matérias-primas mais evidentes de todo o processo de tomada de decisão, embora elas jamais sejam inteiramente substitutas da percepção intuitiva e da visão abrangente do todo.
Aprender com a experiência acumulada nos planos individual e social foi sempre uma das grandes vias de crescimento do ser humano. Analisar, sintetizar e interpretar dados, fatos e situações do passado, e disso extrair lições e princípios orientadores sobre como conduzir no presente e no futuro, fez, faz e fará a diferença na vida das pessoas, das organizações, das sociedades, das nações e da própria humanidade. Em qualquer tempo e lugar, saber o que aconteceu outrora é uma fonte de elementos que nos ajudam a decidir sobre o que deve e o que não deve ser feito no presente e no futuro.
Quanto mais a pessoa for capaz de conhecer a si mesma, sua circunstância, onde se encontra e a trajetória a ser percorrida para chegar até aqui, tanto maior será a sua capacidade de visualizar aonde pretende ir e de traçar um caminho para chegar lá.
Quanto mais uma pessoa conhece aquilo que faz, tanto maior a sua capacidade de fazê-lo cada vez mais e melhor (produtividade e qualidade). A quantidade e a diversidade dos conhecimentos adquiridos por uma pessoa ao longo da vida tornam-na mais polivalente e flexível, aumentando suas possibilidades de se adaptar às mudanças e de aproveitá-las para seu crescimento pessoal e profissional.
Compartilhar o que se sabe com outras pessoas e exercer uma influência construtiva sobre suas vidas é o principal caminho de que dispomos para ajudar outros seres humanos a desenvolver o seu potencial. O nome dado a esse caminho é educação. Esta abrange todos os processos formativos que ocorrem nos diversos âmbitos da existência humana: família, trabalho, escola, movimentos sociais, meios de comunicação e atividades culturais. E tende, cada vez mais, a ampliar os seus meios e o seu raio de ação, ocupando um maior espaço na vida das pessoas e das organizações.
Para gerar novos conhecimentos, a pessoa apóia-se na sabedoria que já detém, pois lhe serve como matéria-prima nesse processo. Quanto mais uma pessoa aprende, mais aumentam as suas necessidades de aprendizagem e sua capacidade de adquirir novos conhecimentos. Não podemos mais pensar em pessoas formadas. Todos nós estamos em formação ao longo de toda a vida. Aprender, portanto, é uma exigência que nos acompanha do início ao fim de nossa existência. Quanto mais conhecimentos adquirimos, mais aumenta a nossa área de contato com o desconhecido e, assim, cada vez mais ampliam-se as nossas necessidades de aprendizagem. Aprender é crescer. E nenhum tempo é inadequado para isso.
Artigo extraído do livro Educação
Antonio Carlos G. Silva