segunda-feira, 6 de junho de 2011

A importância da família – Os papéis de pai e mãe

O ser humano é dentre o reino animal, a criatura que nasce mais frágil, aquela que precisa de maior cuidado. A maioria dos filhotes nascem e algumas horas depois já andam, ou em tempo muito menor que o gênero humano, podem desepegar-se da mãe e cuidar de si mesmos.

Talvez por sermos na natureza os que desenvolvem maior inteligência, dependemos um maior tempo dos genitores. Quando nascemos, temos ainda, muito o que aprender sobre a vida.

E estas lições nos são passadas de forma distinta entre o pai – ser masculino, e a mãe – ser feminino. A visão de mundo de cada um é diferente, contudo toda criança, independente do sexo, precisará da presença do pai e da mãe.

Um artigo já trabalhado por mim em outro post, do Frei Raniero Cantalamessa – pregador oficial da Casa Pontificia – vai abordar como o amor do Senhor se manifesta através das diferentes formas de amor, contidas em nossos pais.

“Deus se expressa como amor paterno e materno.

O amor paterno é feito de estímulo e solicitude; o pai quer o filho crescido e levado à plena maturidade.

Já o amor materno é feito de acolhida e de ternura; é um amor visceral; parte das profundas fibras do ser da mãe, onde a criatura se formou, e ali enraíza toda a sua pessoa, fazendo-a ‘estremecer de compaixão’”, justifica Cantalamessa.”.


Primeiramente , isso vem demonstrar os diferentes papéis desempenhados instintivamente pelo homem e pela mulher numa família e como cada um imprime traços diferentes no desenvolvimento e constituição da criança e do adolescente.

A ciência tem pesquisado e cada vez mais compreendido que, desde o tempo das cavernas, a mente, a visão de mundo, os sentimentos e reações ao ambiente, entre homens e mulheres, vem sendo desenvolvidas diferentemente. Porém, é essa forma individual de analisar e agir, que cada um dos sexos transmitirá ao filho(a).

O amor de pai é feito de solicitude e estímulo. O ser paterno quer ensinar as coisas ao filho(a), demonstrar como se faz, por vezes, desafia o rebento a um novo em sua vida.

Lá nos inícios, Deus disse ao homem: “Comerás o pão com o suor do teu rosto” (Gn 3, 19). Ou seja, deu ao ser masculino a vocação de prover o sustento, de trabalhar a natureza, modificá-la, empreender, ir em frente até alcançar a excelência – maturidade e plenitude dos meios. Então, se é dessa maneira que o homem entende a vida para si, isso será o conteúdo que ele terá a aprensentar a sua prole.

Geralmente é o pai quem ensina a criança a andar de bicicleta (segura para não cair, mas solta quando vê que o filho(a) já aprendeu, ainda que o(a) pequeno(a) não confie em si, mas ao ver que já pedalou sozinho alguns metros, aprende a confiar que seu pai o lançou na vida para seu próprio bem. A criança experencia o prazer de ser desafiado pelas ocasiões da existência e alcançar suas metas). Também é o pai que, na maioria da vezes, brinca pedindo que o filho pule de alguma altura para o segurar no colo. Dificilmente veremos uma mãe brincando assim!

Isso tudo vai registrando na cabecinha da criança; “Você é capaz”, “Eu acredito em você”, “Existe alguém junto com você, alguém que te olha, mesmo quando você se sente sozinho no desafio”.

Na adolescência também, geralmente é o ser masculino quem ensina um ofício. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com seu pai José. Foi observando seu pai que Ele teve contato com as primeiras noções de como buscar o sustento, de como as coisas funcionam, a dinâmica da natureza, dos processos naturais, pois daí se extrai a providência. Posteriormente, na sua vida pública, Jesus usou em seus discursos o comparativo do Reino de Deus com fatores da agricultura da cidade de Nazaré, foi buscar nos trabalhos propriamente masculinos na cultura local e da época, exemplos para Sua mensagem de Boa Nova. (cf. Mt 6, 26; Mc 4, 32; Lc 8, 5; Lc 13,19).

A mãe por sua vez, traz a caracteristica do amor visceral, feito de acolhida e ternura, tudo é compaixão. Por vezes é um amor que quer reter para si a criatura de suas entranhas. A sensação de geração e proteção, o vínculo físico, com aquele que lhe veio de dentro do organismo, de alguma forma continua ao longo da vida.

À mulher Deus disse: “Entre dores darás à luz os filhos. Teus desejos te arrastarão para teu marido” (Gn 3, 16). O senso feminino de amor, deseja trazer para perto, para junto, quer unir toda família em torno dela. Lhe custa dores, sacrifícios interiores, daí então o zelo em manter e principalmente proteger.

Quando um filho(a) se machuca, para quem ele corre? Geralmente para a mãe. Quando sofremos e precisamos de um acalento, de colo, de mão na cabeça, palavras de carinho, para quem nos dirigimos? Geralmente para o colo de mãe. Desde pequenos, se algo acontece e sabemos que estamos errados ou mesmo quando estamos inocentes no acontecido, havendo o receio de que não vão nos entender, preferimos dizer primeiro para a mãe, contando que ela dará um jeito de aplacar a reação do pai ou dos demais.

Nisso, vai significando ao filho(a) que; “Você pode contar com minha acolhida”, “Existe um lugar que você pode admitir suas fraquezas, seus fracassos e até mesmo seus erros, que encontrará colo, carinho e compreensão”, “Não tenha medo, eu estou aqui”.

Jesus também usou em Suas falas, exemplos para o Reino dos Céus que eram típicos dos trabalhos femininos na cultura local de Nazaré: (cf. Lc 15, 8; Mt 13, 33), demonstrando que além do exemplo de seu Pai José, Ele aprendeu também muitas coisas com Sua mãe Maria. Estava junto com ela, observando-a e absorvendo o conhecimento que Lhe serviu para a vida.

Além das pessoas adultas trazerem consigo as impressões registradas pelos seus pais desde a infância, esta será a base que eles terão também para formar sua própria família futuramente. Da forma como vemos, ouvimos e sentimos nossos pais, muito provavelmente faremos com nossos filhos. Os homens aprendem a serem pais com seus respectivos pais. As mulheres a serem mães com suas respectivas mães.

A psicóloga Solange Rosset publicou um artigo em que vem confirmar a importância nos diversos papéis entre homem e mulher na vida familiar no artigo: “Casal que define bem os papéis na relação cria filhos mais equilibrados” e ainda vai além, relatando possíveis consequências negativas quando este equilibrio não acontece. “Quando as fronteiras dentro do casal não são bem definidas, é possível que um filho venha a desempenhar uma função que não deveria ser sua, mas do pai ou da mãe. Isso perturba o desenvolvimento da criança”. ( Revista Caras, edição 916, ano 18, nº 21 – 27/05/2011, cf. http://www.caras.com.br/edicoes/916/textos/casal-que-define-bem-os-papeis-na-relacao-cria-filhos-mais-equilibrados/)

Quando vão crescendo, os filhos podem tomar as dores e preencher lacunas, desempenhar papéis que seriam próprios do pai ou da mãe. Isso, além de atrapalhar o desenvolvimento da criança e do adolescente, por falta de exemplo e de referência, ainda dificulta a estruturação do lar, já que lança os rebentos em tarefas em que não estão ainda preparados e maduros.

Se numa casa o masculino oprime o feminino, assim entenderão as crianças, e é quase certo que assim serão os meninos desse lar no futuro. As meninas propensas a serem somente eternas serviçais dos seus futuros maridos, conformando-se, mas infelizes. Ou então, irão se rebelar e lutar com todas as forças contra esse tipo de tratamento, porém da forma errada, já que estavam, desde cedo, lutando pelo papel que é da mãe e não seu próprio. Faltará a referência feminina da mãe que foi anulada.

Se um pai não gosta de trabalhar, adultera ou cultiva vicios, ou o filho lhe seguirá o exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra seu pai.

É importante lembrar que tanto o menino quanto a menina precisam do amor de ambos – do pai e da mãe.

O menino, por mais que se identifique com a mãe, buscará espelhar-se no pai. É a referência masculina, em que ele aprenderá a ser homem.

A menina, por mais que se identifique com o pai ou não, buscará espelhar-se na mãe. É a referência feminina, em que ela aprenderá a ser mulher.

O pai, por sua vez, é quem dará a noção do mundo, do externo.

A mãe, dará a noção de interioridade, de sentimentos, da casa interior do coração.

Se não há essa devida equação nos tornamos homens e mulheres inacabados. Seres em que falta desenvolver alguma parte de si. Nascemos com o dom, a vocação, a capacidade e a força para ser, mas a ausência de indicadores na vida não nos permitem avançarmos e chegarmos à plenitude.

As mensagens que os pequenos gestos registrados pelo pai e pela mãe na infância e adolescência e que ficam em nossa mente, serão excenciais quando não os tivermos por perto. Continuaram ecoando e produzindo efeito no animo da pessoa. (“Você é capaz”, “Eu acredito em você”, “Existe alguém junto com você, alguém que te olha, mesmo quando você se sente sozinho no desafio” – “Você pode contar com minha acolhida”, “Existe um lugar que você pode admitir suas fraquezas, seus fracassos e até mesmo seus erros, que encontrará colo, carinho e compreensão”, “Não tenha medo, eu estou aqui”)

Muitos dos sofrimentos, dos medos, as paralisias diante do novo, o sentimento de estar sozinho que trazemos em nossa vida, podem estar relacionados com a impressão de ausência daquilo que nos faltou em nossos primeiros anos.

Não aprendemos ser lançados nos desafios que a vida impôs, pois, ninguém fez isso conosco, não nos foi ensinado um trabalho, não aprendemos com a natureza os processos de demora e alcance de maturidade. Talvez não tenhamos tido um colo para chorar e hoje não nos sentimos no direito de mostrar fraquezas, sermos nós mesmos verdadeiramente, talvez não confiamos nas pessoas, porque nunca alguém se mostrou interessado nas machucaduras que trazemos e tivemos que sofrer a dor mesmo sem remédio.

Quando percebemos os desacordos e descaso entre nossos pais, tentamos arrumar o que era imperfeito, mas isso só trouxe a sensação de nossa impotência, pois continua do mesmo jeito. Quem sabe até nos causando aversão ao casamento ou a certas obrigações que ele traz. Também podemos ter feitos votos intimos, compromissos interiores que atingiram nosso inconsciente e que podem atrapalhar nossa história futura com alguém totalmente diferente do mal exemplo que tivemos.

E como reparar tudo isso?

Tomando consciência dos papéis distintos entre o homem e a mulher num lar, já podemos mergulhar em nossa história de vida e analisar se algo nos faltou. Rastrear os reconditos mais escondidos do nosso ser e enxergar se os sofrimentos do presente podem ter a raiz na infância ou adolescência por uma falha da referência do amor de pai ou de mãe.

Também com essa clareza, direcionar o futuro. Qual o meu papel? Como quero ser, como estou sendo?

E depois, também pela ciência – conhecimento do hoje – juntamente com a força do Espírito Santo, acreditar que é possível dar o que não recebemos de nenhuma criatura humana, ensinar o que não aprendemos de ninguém. Pois, o espírito Santo pode nos nutrir e fazer novas todas as coisas.

“Oh! Todos que estais com sede, vinde buscar água! Quem não tem dinheiro, venha também! Comprar para comer, vinde, comprar sem dinheiro vinho e mel, sem pagar!” (Is 55, 1)

Este versículo trata na verdade, não do alimento, no sentido literal, mas de que Deus quer subsidiar a alma daqueles que não tem mérito, dos que não aprenderam, aqueles que nunca receberam tudo o que viria a ser suas necessidades.

Somente uma experiência de amor com Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo é que pode colocar algo bom onde ficou uma lacuna, um espaço vazio. Não há mal que Ele não possa vir a reparar.

Mesmo sem recursos chegue perto de Jesus e Ele que é o Amor, Ele que te amou desde sempre, lhe ensinará a amar seus filhos, seu pai e sua mãe, da forma como eles também precisam e talvez nunca foram amados e nunca aprenderam.

Recomendo aqui um outro artigo: “Conseguirei dar o amor que nunca recebi?” (http://blog.cancaonova.com/sandro/2011/05/11/conseguirei-dar-o-amor-que-nunca-recebi/)

Volte para sua família. Olhe para seu pai ou sua mãe com misericórdia. Na maioria das vezes, eles também foram mais vitimas do que culpados, pois também lhes foi negado uma face do amor paterno ou materno.

Mesmo que eles já não estejam em nosso meio, entre em seu coração e lembre das coisas boas que eles lhe fizeram, do cuidado, à forma deles, mais ainda assim cuidado. Entregue tudo diante de Jesus Eucaristico.

E levante-se para o novo, que agora tendo tomado consciência, você, agindo com a graça de Deus, pode fazer com que o mal sofrido, qualquer tendência a vício ou maldição, sejam interrompidos em você, em sua geração.

Onde houver o desejo de acertar já há amor. E é isso que sua família precisa.

Deus abençoe você e os seus!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

2º Retiro das Santas Missões Populares em Baependi - MG

Aconteceu no dia 29 de maio o 2º Encontro das Santas Missões Populares em Baependi - MG.
Algumas fotos do Encontro...
Clique no link abaixo...


Reflexão:
Não importa as dificuldades, os empecilhos, se temos convicção da nossa fé. A nossa convicção deve estar acima de qualquer barreira que estiver à nossa frente. Se olharmos para Jesus no Evangelho veremos que devemos segui-Lo. Ele julgado, condenado, mas foi fiel até o fim.
É pela graça do Espírito Santo que dois mil anos depois podemos saber de Jesus. É pela mesma graça do Espírito Santo que somos convidamos a fazer com os gestos de Jesus sejam atualizados.
Que a nossa fé seja muito mais do que simplesmente pedir graças, mas que a nossa fé nos faça compromissados com um mundo melhor, mais fraterno, mais solidário, um mundo de mais amor, que nos leve a nos comprometer com os mais necessitados. Que a nossa fé promova cada vez mais no meio de nós a confraternização, sendo cada vez mais famílias; como famílias nós devemos ser apoio para os outros.
Que vivamos a nossa fé a ponto de poder dizer como São Paulo: “Já não sou mais eu quem vivo, é Cristo que vive em mim.”

segunda-feira, 28 de março de 2011

Consagra-te ao teu ministério

Após minha experiência com o amor de Deus senti o desejo de servir ao Senhor, então comecei a tocar teclado e a cantar no grupo de oração. Nesse período comecei a cantar em cerimônias de casamentos com mais duas pessoas e formávamos um trio vocal. A partir das cerimônias começaram a surgir convites para também cantar nas recepções dos casamentos e em eventos culturais. Depois de um certo tempo percebi que estava gastando mais tempo com esses eventos e os ensaios do que com as coisas do reino de Deus. E tudo aquilo não me realizava, pois eu sabia que eu não fui chamada por Deus para fazer do meu dom apenas um “Entretenimento” para as pessoas. Em uma apresentação cultural eu olhei para o público e senti Deus falando ao meu coração: Eles têm fome! O quê você está oferecendo para alimentá-los? Eu te chamei para anunciar a minha palavra que é o alimento de que eles precisam! Uau! Essas palavras ficaram ecoando dentro de mim durante muitos dias e senti que o meu chamado era realmente para ser vivido integralmente e exclusivamente para o anúncio da Palavra de Deus. Tomei a decisão de “Escolher a boa parte”, parei de cantar no trio vocal, fui criticada e incompreendida, mesmo assim estava firme na minha decisão.Consagrei meu ministério e passei a dedicar minha musicalidade apenas para Deus. Vejam bem, não estou criticando aqueles que fazem música cristã para entreter as pessoas! Apenas estou partilhando o chamado que Deus me fez e que é algo muito sério que mudou a minha vida e minha família. De pessoas que cantam lindamente belas poesias o mundo está cheio! Nós precisamos oferecer mais! Precisamos anunciar a Palavra de Deus com ousadia na potência do Espírito Santo debaixo da revelação de Deus!Esse é o único meio para mudar a mente das pessoas e restaurar vidas, lares e toda a nossa sociedade. Vale à pena ser obediente à direção que Deus traz ao nosso coração, só assim seremos verdadeiramente felizes! A partir dessa consagração fui agraciada com o dom de compor canções, participei de muitos festivais de música onde tive esse dom confirmado e gravei dois Cds que tem alcançado muitas vidas para o Reino de Deus. Que tenhamos muito cuidado e temor a Deus quando dissermos que somos “cantores” católicos! Deus precisa e quer que aqueles que Ele separou para uma obra, verdadeiramente assumam essa obra. Se vivermos a consagração a Deus veremos milagres e prodígios acontecerem através da nossa música! Antes de cantar nós somos chamados a ser profetas da esperança para essa geração tão sedenta e necessitada de ouvir a verdade que liberta: JESUS! Disse-lhes o Espírito: Separai-me para mim Saulo e Barnabé para a obra que os tenho destinado. Atos 13, 1-3 Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério.” 2tm 4,5


Aline Brasil

Fonte: Alinebrasil.com

quinta-feira, 17 de março de 2011

Convite do SAV

A Fraternidade e a Vida no Planeta!

Que possamos aproveitar esse momento em que a Igreja nos fornece subsídios sobre o referido tema, para fazer um profundo exame de consciência e mudar nossa maneira de nos relacionar com a Mãe Terra. O único caminho para um futuro melhor é plantar boa semente e cuidar com carinho para que germine, cresça e dê bons frutos.

O primeiro chamado de Deus é para vivermos bem a nossa vida, desenvolvendo os talentos que Ele nos deu e os colocando a serviço dos outros.

Venha participar conosco do próximo encontro do SAV (Serviço de Animação Vocacional), onde apresentaremos algumas das mais diversas formas de respondermos ao chamado de Deus.

O encontro será realizado no dia 09 de abril de 2011, às 20:00h na Igreja do Rosário - Baependi – MG.

Sua presença é muito importante, e não esqueça de trazer seus amigos!

Mais Informações:
Email: savocacional@gmail.com
Telefones: (035) 9161-1734 ou 8878-6612

quarta-feira, 16 de março de 2011

Trate criança como criança

Dias atrás, perto de mim estava uma mãe falando brava com sua filha, porque a pequena não estava sentando direito, já que estava com uma mini saia.

Fiquei imaginando o que se passava na cabeça daquela criança, que aparentava uns cinco ou seis anos. Será que ela compreendia a chamada de atenção que estava levando de sua mãe?

Na concepção da criança não existe malícia. Então tanto faz a forma de sentar.

A responsável por ela é que não devia vestir a menina com aquela roupa e exigir um comportamento de moça feita.

Muitas vezes, nós adultos agimos assim. Queremos que as crianças pensem e façam conforme nosso mundo, nosso entendimento.

É comum testemunharmos pais que ficam deslumbrados com a precocidade de seus filhos, desconfiam e comunicam, para todo o mundo, que prevêem que seus pequenos são superdotados.

Acabam por exigir demais dos filhos.

Com as opções e facilidades de hoje, é normal que as crianças tenham uma destreza com os meios, mas isso não quer dizer que são gênios.

Criança é curiosa por natureza e quer aprender, mas é preciso ter em mente que eles aprendem melhor quando nós entramos no mundo deles, e não eles no mundo adulto. De tanto eles serem tratados como adultos, até parecem precoces, nas palavras, nas habilidades, no raciocínio, mas não passam de crianças que não estão recebendo os ensinamentos de vida de forma incorreta. Porque pedimos que eles se portem como é pedido aos maiores.

Por exemplo, como exigir do filho de três ou quatro anos que fique calado e imóvel num ambiente que pede silencio? Essa concepção ainda não cabe na cabecinha dele. Talvez os pais tenham que se revezar num compromisso desse tipo. Quando ele tiver uns aninhos a mais, poderá compreender melhor o que lhe estamos dizendo.

Crianças são como folhas em branco, eles aceitam correção, disciplina e costumes de seus pais, basta que tudo lhes seja ministrado com amor e carinho.

Brincar com eles e inserir um ensinamento é uma ótima forma de fazer com que se interessem e levem uma regra para toda a vida.

Outra disposição que eles trazem naturalmente é a de sempre acatar e respeitar o que fala um adulto.

Basta que entremos no mundo deles.

Deus abençoe!

Sandro Arquejada

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

VOCAÇÃO: UM CHAMADO, UM DOM, UMA MISSÃO!

Oi Filoteu!

Hoje te escrevo sobre um texto muito importante: A vocação dos primeiros discípulos. Lá na beira do lago, o Mestre passava e ao ver dois irmãos, os chamou. Os convidou a serem pescadores de homens. Mas, antes de tudo, estes homens deveriam segui-lo. (veja em Mt 4, 18-22)
ISSO! Antes de tudo seguir Jesus, não somente com as pernas, mas com a cabeça e o coração. Não somente por fazer parte de um grupo de oração, por estar engajado em alguma atividade ou comunidade da Igreja. Não somente por ter um dia ter recebido a ordenação sacerdotal ou ter-se consagrado a Deus. Tudo isso, está em função de uma vivência, de uma experiência, de um seguimento, de uma imitação. Seguir, dizia São João Crisóstomo, significa imitar. Pense! Vocacionado não tanto a ocupar cargos ou simplesmente exercer ministérios, mas como servos de todos, viver o que Deus nos pede, assumir uma missão. Digo brincando e falando sério que missão é aumentativo de missa. "Este é o meu corpo dado por vós. Este é o meu sangue dado por vós". É uma doação total, integral, radical, sem meias medidas. Foi assim que o Mestre fez e assim farão seus discípulos.

Olha Filoteu, pode tirar o cavalinho da chuva e até o jegue ou os bodes também se pensas que isso é utopia, ou é impossível. Vê só: aqueles pobres, reles pescadores, acho que nem sabiam direito quem era aquele rabi que passa e com uma autoridade vinda não sei de onde, com um fascínio enigmático e surpreendente, arrasta atrás de si aqueles homens mais acostumados na arte da pesca de peixes que no convencimento ou conversão de pessoas humanas. Bem que Ele poderia escolher uns letrados, uns fulanos mais espirituais. Caramba! Logo esses caras? Gente pobre, rude, tosca. Trabalhar essa turma deve ter sido osso! Não tinha gente melhorzinha para assumir os altos encargos de apóstolos? "Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento" (Rm 11, 29). E por que Jesus chamou esses e não outros? "Jesus subiu ao monte e chamou quem ele quis" (Mc 3, 13).

Olha Filoteu, não resisti à inspiração (acho que não foi tentação) de transcrever um trecho dos manuscritos autobiográficos de Santa Teresinha. Lê só quando comenta a vocação dela:

Antes de pegar a caneta, ajoelhei-me diante da imagem de Maria (aquela mesma que tantas provas nos deu das maternas predileções da Rainha do céu por nossa família), e lhe pedi que guiasse minha mão para que eu não escrevesse uma linha sequer que não a agradasse. Em seguida, abrindo o Evangelho, meus olhos pousaram sobre estas palavras: «Jesus, tendo subido a uma montanha, chamou a si quem Ele quis; e vieram a Ele" (são Marcos, cap. III, v. 13). Eis o mistério de minha vocação, de minha vida inteira, e, sobretudo, o mistério dos privilégios dispensados por Jesus à minha alma... Não chama os que são dignos, mas quem Ele quer, ou, como diz São Paulo: "Farei misericórdia a quem eu fizer misericórdia; terei compaixão de quem eu tiver compaixão. Desta forma, a escolha não depende daquele que quer, nem daquele que corre, mas da misericórdia de Deus" (Carta aos Romanos, cap. IX, v. 15 e 16).

A Teresinha arrasa! Ela captou a força da gratuidade da eleição que repousa sobre ela e sobre todos os escolhidos!
Eles, os discípulos, foram chamados, em primeiro lugar, para estarem com Jesus. Aqui está o coração de toda vocação cristã. Estar com o Mestre, viver com Ele, ouvi-lo, conviver com Ele, viver por Ele, n'Ele. Daí a importância de uma vida interior bem cultivada, bem alicerçada, daí a necessidade de VIVER DE DENTRO PRA FORA e não o contrário. Quando se passa a ocupar-se tanto nas obras do Senhor ao ponto de esquecer-se do Senhor das obras, corre-se o risco de viver como funcionários da Igreja que cumprem obrigações, arrastam-se atrás dos deveres e não missionários, evangelizadores convictos e entusiasmados.

Eu farei de vós pescadores de homens! Não podemos ser evangelizadores por nós mesmos. Não basta talento ou boa vontade, competência e eficiência. É preciso deixar-se formar por Jesus, aprender d'Ele. Quem nos faz pescadores de homens, é Ele. Claro, é preciso pescar, lançar as redes, acreditar, fazer nossa parte, mas sempre em parceria com Ele, no poder de sua Palavra, na força de sua graça e na unção do Seu Espírito. Vocação é isso: é chamado. A iniciativa é sempre d'Ele e ninguém pode mudar isso. Lembro sempre do que diz Nosso Senhor: "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para que vades e produzais fruto e para que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo o que pedirdes ao meu Pai em meu nome ele vos dê" (Jo 15, 16).
A mediocridade é uma caixa de veneno na caminhada vocacional. O apelo divino se repete diariamente e diaremente a tua resposta não pode faltar. A resposta se traduz nas atitudes, nas escolhas, nas opções. Vocação não combina com fugas, desistências, desânimos. As provações, os desafios, as tribulações e tentações são oportunidades de crescimento e nunca um palco para fazer uma tragédia grega, cheia de um vitimismo patético e ridículo. Toda crise é um risco, mas é também uma chance, uma oportunidade, uma possibilidade que se abre. Para crescer, amadurecer, santificar-se. Uma coisa é certa: Não queiras as coisas pela metade. Sê todo em tudo o que fizeres, em tudo que quiseres, em tudo que pensares, em tudo que falares, em todo o teu ser. Sê todo ante o Tudo de Deus, ante o Todo que é Deus e diante de todos os homens e de todas as mulheres não te dividas. Sê todo em cada situação, em cada acontecimento. Não se fragmentam os que são inteiros. Esta unidade fará de ti uma muralha, uma fortaleza. Mas, esta unidade nunca acontecerá se tu não te unires 'Aquele que é TUDO, que foi todo do Pai e todo nosso, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Hoje a Teresinha tá com a corda toda!. Afinal, em termos de vocação ela é uma perita. De um episódio bastante curioso da infância, ela tirou um propósito de grande importância e que a fez voar com vigor na direção de Deus. Dou a ela a palavra:

Um dia, julgando-se muito crescida para brincar com boneca, Leônia veio procurar-nos a nós duas com uma cesta cheia de vestidos e de lindos retalhos para fazer outros; por cima estava colocada sua boneca. - "Tomai lá, minhas irmãzinhas, diz-nos ela, escolhei, dou-vos tudo isto". Celina estendeu a mão e tomou um pacotinho de alamares que lhe agradava. Após um instante de reflexão, estendi a mão por minha vez e declarei: - "Escolho tudo!" e apoderei-me da cesta sem outra formalidade. As testemunhas da cena acharam o caso muito justo, a própria Celina nem pensou em reclamar. (Aliás; brinquedos não lhe faltavam, seu padrinho cumulava-a de presentes e Luísa descobria meios de arrumar-lhe tudo quanto desejasse).

Este pequeno episódio de minha infância é o apanhado de toda a minha vida. Mais tarde, quando se me tornou evidente o que era perfeição, compreendi que para se tornar santa era preciso sofrer muito, ir sempre atrás do mais perfeito e esquecer-se a si mesmo. Compreendi que na perfeição havia muitos graus e que cada alma era livre no responder às solicitações de Nosso Senhor, no fazer muito ou pouco por Ele, numa palavra, no escolher entre os sacrifícios que exige. Então, como nos dias de minha primeira infância, exclamei: "Meu Deus, escolho tudo". Não quero ser santa pela metade. Não me faz medo sofrer por vós, a única cousa que me dá receio é a de ficar com minha vontade. Tomai-a vós, pois "escolho tudo" o que vós quiserdes!. . . "

Uma palavra que em termos vocacionais faz toda a diferença: a PERSEVERANÇA, A GRAÇA DAS GRAÇAS! Isso mesmo. É preciso insistir, persistir e nunca desistir. E a perseverança é uma conquista diária. Todo dia, a cada instante. A fidelidade é construida tijolo a tijolo, pedra sobre pedra. Não de uma vez, mas sempre um pouco. O ideal é grande, a eternidade compensa: e como! Por isso, lembro de um personagem do filme "Procurando Nemo". Lá a Doris, aquela "peixinha" que tinha um problema de perda de memória recente, deu um recado importante: Continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar,....
Vários anos atrás, quando estreava minha vida de seminarista (é o noooovooo!!!), fui a uma cerimônia de consagração de algumas religiosas. Lá entoavam um canto de entrada que nunca me esqueci. Se não me engano é da autoria do Pe. Zezinho. Uma reflexão vocacional primorosa e que deixo para ti:

A voz o meu Senhor/ feriu meu coração/ e me fez inquieto/ por meu povo e minha fé/ vesti sorriso e dor/ e me tornei cristão/ dividi meu teto/ com Jesus de Nazaré
Nesta santa mesa/ vim partir o pão/ corpo de Jesus/ meu Deus e meu irmão/ na Eucaristia vivo a minha vocação/

Se Cristo te chamou/ melhor é não fugir/ a felicidade é salário do servir / e quem disser um não/ à voz interior/ vai sentir saudades dos carinhos do Senhor.

Desejo-te uma feliz descoberta de tua vocação e se já escolhestes, desejo dias felizes (felicidade não quer dizer facilidade, viu?) com Jesus em tão grande projeto de vida. "E por esta estrada vai, vai e não voltes atrás mais e não voltes atrás jamais".

Um abraço e bênção.

Pe. Marcos.